quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Airton Santos deseja aos amigos um 2015 completo de realizações
Pois é gente chegou a minha vez, é isso daí, muitas coisas boas aconteceram em 2014, umas mais tensas mas o importante é que você foi forte o bastante para chegar até aqui, fico feliz em hoje 31 de dezembro eu ter em minha linha do tempo um monte de pessoas bacanas e que até mesmo antes eu não conhecia e que hoje já estar no meu coração, e é isso daí, só quero que chegue ainda mais milhares de pessoas novas para fazer parte da minha vida, pois já passei a colecionar amigos e saibam que cada um de vocês que estar em meu facebook retirando aquelas pessoas que mim bloquiaram e mim excluíram que acharam eu uma pessoa que não deve fazer parte da amizade dela eu pouco mim lixo, mas a você que estar comigo quero lhe desejar de todo o coração um 2015, mais completo e com transformações boas, que seja um ano de realizações e de surpresas boas e nuncam esqueceçam que sempre no que eu poder ajudar eu estarei aqui, nunca abandonarei ninguém nem mesmo aquelas pessoas que desfizeram amizades comigo pois o coração delas é tão pequeno para ter um pensamento grande, beijão a todos e vamos curtir a virada com paz e nada de violência são os sinceros votos de Airton Santos o amigão da comunidade!!!
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Suspeita de matar italiana procurou companhia na internet para viajar a Jericoacoara
Gaia Molinari e Mirian França viajaram juntas a Jericoacoara em 21 de dezembro. A carioca, suspeita da morte da italiana, está presa por contradições em depoimento

A carioca Mirian França, suspeita de matar a italiana Gaia Molinari na praia de Jericoacoara, em Jijoca, a 287 km de Fortaleza, havia procurado na internet companhia para viajar ao Ceará. “Olá, mochileiros. Procuro cia para passar o final do ano em Fortaleza e Jericoacoara. Já paguei parte da hospedagem para o período de 18 a 29 de dezembro, mas posso estender por mais tempo, pois ainda não comprei passagem, roteiro também em aberto”, diz a mensagem no site Mochileiros. A publicação data de 13 de julho deste ano.
Mirian está presa na Delegacia de Capturas, em Fortaleza, desde a manhã desta segunda-feira (29), suspeita de participar da morte da italiana. De acordo com a delegada-adjunta da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), Patrícia Bezerra, a investigação ainda dá os primeiros passos. “É bem verdade que a gente deu um grande passo com a prisão que foi realizada, mas ainda há muito a ser feito. Ainda existem outras pessoas a serem encontradas”, revela.
Confira a mensagem:
(FOTO: Reprodução/Facebook)
Gaia e Mirian estavam hospedadas no mesmo albergue, no Centro de Fortaleza, viajaram a Jericoacoara em 21 de dezembro e pretendiam retornar na véspera do Natal. O corpo da italiana foi encontrado por um casal, próximo à Pedra Furada, um dos pontos turísticos da praia, em 25 de dezembro. Por ser a companhia de Gaia na viagem, a carioca foi tratada como principal testemunha do crime; porém, em razão de se contradizer em depoimento, passou a ser suspeita da morte.
“De início, ela foi ouvida na qualidade de testemunha. Mas com o desenrolar das diligências, passou de testemunha a suspeita. Colhemos indícios e depoimentos que apontaram incontáveis contradições. Informações dela tentaram ser comprovadas, e muitas coisas que tinha dito não eram verdadeiras, como horários e locais. Depois, ela não sustentou o que tinha dito e nem explicou as mentiras”, explica a delegada.
Mirian já estava com viagem marcada para voltar ao Rio de Janeiro, na terça-feira (30). A prisão foi efetuada também por conveniência da investigação, segundo Patrícia. Ela ficará à disposição das autoridades que investigam o caso. “Era importante que ela não saísse de Fortaleza”, acrescenta.
Por enquanto, a tese de latrocínio (roubo seguido de morte) não se sustenta. Além disso, não é destacada a possibilidade de crime passional. Segundo a delegada, contatos estão sendo feitos com a polícia do Rio de Janeiro para investigar se Mirian e Gaia já haviam se conhecido no Rio.
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REPERCUSSÃO DO CRIME
Gaia era italiana e estava de férias no Ceará desde 16 de novembro (IMAGEM: Reprodução)
Exames e liberação
Exames realizados na Perícia Forense do Ceará (Pefoce), no município de Sobral, indicaram a causa da morte da italiana como asfixia por estrangulamento. Além do exame de DNA, que pode identificar violência sexual na vítima, a perícia também realizou exame toxicológico. Conforme o cônsul da Itália no Ceará, Roberto Misici, o corpo de Gaia será embalsamado e liberado até quarta-feira (31), do Instituto Médico Legal de Sobral. Ainda não há data para ser levado a Itália.
Leia as matérias publicadas sobre o Caso Italiana:
26 de dezembro – Turista italiana é encontrada morta na praia de Jericoacoara
27 de dezembro – Suspeito de matar turista italiana em Jericoacoara é detido pela polícia
28 de dezembro – Homem suspeito de matar turista italiana em Jericoacoara é solto por falta de provas
29 de dezembro – Amiga carioca de italiana morta em Jericoacoara é presa após contradição em depoimento
Salário mínimo passa de R$ 724,00 para R$ 788,00 a partir de 1º de janeiro
Foi publicado nesta terça-feira (30/12), no “Diário Oficial da União” decreto presidencial que reajusta o salário mínimo para R$ 788,00 a partir do dia 1º de janeiro de 2015. O novo valor representa reajuste de 8,8% sobre o salário mínimo atual, de R$ 724,00.
De acordo com o decreto, o valor diário do salário mínimo corresponderá a R$ 26,27 e o valor horário, a R$ 3,58.
O valor do salário mínimo é calculado com base no percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano retrasado mais a reposição da inflação do ano anterior pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Em agosto, quando foi apresentado o Projeto de Lei Orçamentária elaborado pelo governo, o salário mínimo determinado era de R$ 788,06. Segundo a assessoria da ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, na ocasião, o impacto do aumento do salário mínimo nas contas públicas, com o pagamento de benefícios, seria de R$ 22 bilhões em 2015.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
As escapadas de dom Pedro II

Na calada da noite, três cidadãos, aparentemente alterados pela bebida, foram apanhados pela ronda policial tentando invadir a residência de uma senhora no Rio de Janeiro. O incidente ocorreu entre o final de 1870 e o início de 1871. Poderia ser só mais uma tentativa de invasão seguida de roubo, mas não era o caso. O inspetor do quarteirão se lembraria dessa noite para toda a vida. Ao intimar os invasores que se identificassem, reconheceu um deles como o imperador dom Pedro II. Depois de milhares de pedidos de perdão, o inspetor foi bater na casa do subdelegado às 2 horas da madrugada e contou-lhe o ocorrido, julgando que sua carreira policial terminara naquela noite. O historiador norte-americano Roderick J. Barman revelou o nome da dama em questão: Carolina Bregaro. Ela era filha do dono do Real Teatro São João, atual João Caetano, no Rio de Janeiro, e sobrinha de Paulo Bregaro, o mensageiro despachado do Rio de Janeiro que chegou a São Paulo em 7 de setembro de 1822 com cartas da corte para d. Pedro I.
O marido de Carolina, Rodrigo Delfim Pereira, era um diplomata brasileiro educado na Inglaterra com ordens dadas por seu ilustre pai de “não voltar para o Brasil falando ‘minha pai’, ‘minha cavalo’”. Ele era meio-irmão de dom Pedro II, filho do primeiro imperador brasileiro com Maria Benedita de Castro do Canto e Melo, Baronesa de Sorocaba, irmã da Marquesa de Santos. Barman acredita que o relacionamento amoroso entre dom Pedro II e sua cunhada – ele não desconhecia seu parentesco com Delfim Pereira – durou uma década.
Ninho de amor
Dom Pedro II tinha fama de sábio. Conhecia aramaico, além de diversas línguas vivas. Correspondia-se com a maior parte dos cientistas de seu tempo, bem como com compositores, cantores e atores. Mas sua famosa biblioteca no Rio de Janeiro também tinha outra finalidade. Servia de ninho para seus amores clandestinos.
Quando jovem, o imperador foi criado em uma monarquia sem qualquer brilho após a abdicação de seu pai, dom Pedro I, em 7 de abril de 1831. Ele e suas irmãs herdaram uma corte que, segundo testemunho de um de seus primos europeus que o visitaram, era “a mais miserável do universo”. Essa austeridade também foi a grande marca da criação do futuro imperador, que, além da pobreza da corte, herdou o pesado fardo da lembrança dos escandalosos relacionamentos extraconjugais de seu pai.
Seus tutores cuidariam para que tivesse uma educação esmerada. Queriam que dom Pedro II, diferentemente do pai, se tornasse uma pessoa regrada, controlada, ilustrada e também, de acordo com a historiadora Mary Del Priore, fosse um notório “come-quieto”, ao contrário do espalhafatoso dom Pedro I, que assinava suas cartas para a Marquesa de Santos como “Demonão”.
De 1831 até 1834, quando dom Pedro I morreu, em Portugal, várias alas da política brasileira tinham verdadeiro pavor de que o ex-imperador retornasse ao Brasil e assumisse a regência em nome do filho. Uma campanha de desmoralização pública teve início assim que o navio que o levava ao exílio deixou de ser visto no horizonte. As críticas ao ex-monarca tornaram-se públicas, afinal, a Constituição que protegia a figura do imperador não dizia nada a respeito de ex-governantes. No Primeiro Reinado, os jornais utilizava-se de expressões sutis e satíricas, por exemplo, “o nosso caro Imperador”, onde o caro não era para ser lido como caríssimo ou querido, e sim como dispendioso. Na época das Regências, elas foram trocadas por “assassino da esposa”, “amante dissoluto”, “devasso corrupto”, entre outros qualificativos.
A nódoa moral de seu reinado, seu caso de sete anos com a Marquesa de Santos, foi relembrado ao limite nessas folhas, e logo a sua ex-amante, a paulista Domitila de Castro do Canto e Melo, acabou elevada a símbolo máximo da corrupção e da devassidão do Primeiro Reinado nos jornais da época, sobretudo no periódico Sete de Abril. “O primeiro imperador era figura mais visível nos seus desajustes conjugais, tendo deixado aos historiadores abundante documentação sobre suas infidelidades”, afirma Mary Del Priore. Era assunto diferente das famosas amantes dos reis franceses, da época do absolutismo. “A vida sexual dos monarcas do Antigo Regime sempre foi sinônimo de virilidade e poder do rei. Depois da Revolução Francesa, amantes e concubinas só revelavam governantes fracos e manipuláveis. Dom Pedro foi severamente criticado quando desembarcou em Salvador levando Leopoldina e Domitila. A sociedade se fechou, e nos muros da cidade panfletos e caricaturas enxovalhavam o casal. Quando a imperatriz faleceu, a casa de Domitila foi alvo de ataques de populares, obrigando-a a fugir. Sem contar as caricaturas que se multiplicaram ao final de seu reinado: ele montado pela amante!”
Noites atenienses
Para que o Império e o futuro imperador dom Pedro II passassem uma imagem mais séria, a educação moral do jovem príncipe foi rígida. Desde o princípio, ele sabia o quanto o romance escancarado de seu pai com a fogosa paulista jogara lenha na fogueira moral ateada pelos inimigos da monarquia, e assim a discrição amorosa do imperador virou lei.Como afirma o historiador Renato Drummond Tapioca Neto, “o sexo para as mulheres das classes mais abastadas tinha apenas uma função: produzir filhos, a maior alegria para o casal. O prazer não entrava nesse jogo. Dessa forma, no leito conjugal, a lei que ditava o desempenho dos homens era a perpetuação da linhagem, enquanto a paixão e o desejo carnal eles reservavam a outras mulheres, as amantes. Mas tudo por baixo dos panos. Afinal, qualquer escândalo poderia vir a prejudicar a imagem da família perante a sociedade”.
Quem olha para as pinturas e fotos daquele senhor sisudo, bochechudo e com longas barbas brancas não imagina que ele abalou tantos corações, de maneira muito mais discreta que seu pai. O mais famoso relacionamento extraconjugal de dom Pedro II foi com Luísa Margarida de Barros Portugal, a condessa de Barral, exposto por Mary Del Priore emCondessa de Barral, a Paixão do Imperador. Ela era uma rica dona de engenho casada com um nobre francês e foi preceptora das princesas imperiais, Leopoldina e Isabel. O relacionamento durou 34 anos de ânsias e suspiros apaixonados em cartas interatlânticas, nas quais dom Pedro II relembrava com carinho das “noites atenienses” ou de quartinhos de hotéis em Petrópolis. Porém havia também nesse relacionamento uma certa paixão intelectual.
Nada, ao menos da correspondência amorosa que sobreviveu entre ele e a condessa, lembra o fulgor do pai, que tratava com paixão a Marquesa de Santos, ora com versinhos malconstruídos, ora com palavras das mais vulgares, chegando a enviar pelos pubianos à amante e sentir saudades de “ir aos cofres” dela.
Existe na historiografia brasileira a lenda de que o historiador Tobias Monteiro teria encontrado cartas picantes envolvendo dom Pedro II, e as depositou na Biblioteca Nacional, porém um arranjo na numeração as teria feito ficar desaparecidas por muito tempo no arquivo. Afinal, não pegava bem para a imagem do ex-imperador ter sua vida amorosa exposta de maneira indecorosa, como aconteceu com seu pai.Quem conhece um pouco de organização de bibliotecas e arquivos sabe que uma pasta, caixa, ou livro posto em outro lugar que não o seu é uma atrocidade, pois se perdem sua localização no acervo e as formas de desarquivar a informação. Assim, periodicamente, esse acervo de cartas era “redescoberto”. Finalmente, o historiador José Murilo de Carvalho conseguiu catalogá-lo, o que acabou por revelar um dom Pedro II menos morno que sua figura bonachona. Como diz um ditado holandês: a fruta não cai longe do pé. O velho imperador também teve seu lado “Demonão”.
“Te amo e sou tua”
Se as cartas da condessa de Barral para dom Pedro II são mornas, o mesmo não acontece com a sua correspondência com a condessa de Villeneuve. Nascida Ana Maria Cavalcanti de Albuquerque, era casada com Júlio Constâncio de Villeneuve, conde de mesmo nome, proprietário do Jornal do Commercio. Ana era nove anos mais nova que dom Pedro II. Em suas cartas para o imperador, ela lembra que “cada uma de tuas expressões tão apaixonadas me fazem estremecer de amor” e declara: “Eu te amo e sou tua de toda a minha alma. Eu te abraço tão ardentemente como tu desejas”. A pedido do imperador, enviou-lhe uma foto com vestido decotado, diante da qual dom Pedro II delira, em carta de 13 de maio de 1884: fantasia uma tórrida cena de amor no sofá da casa da condessa, com corpos entrelaçados, desfalecendo de prazer. Em carta de 7 de maio, afirma: “Que loucuras cometemos na cama de dois travesseiros!”, e, adiante, como se estivesse para atingir o clímax, declara que não consegue mais segurar a pena: “Ardo de desejo de te cobrir de carícias”.
Uma testemunha da época do Segundo Reinado, o diplomata espanhol Juan Valera, confidenciou a um amigo que “a imperatriz do Brasil (dona Teresa Cristina) é tão virtuosa quanto feia, e dom Pedro II lhe é infiel de vez em quando. O teatro de suas infidelidades é a biblioteca do palácio; o que acontece é que as damas se instruem...”. Outra característica que dom Pedro II herdou do pai era a sovinice: esbanjava com esmolas e bolsas de estudo, mas era miserável com as amantes. Valera chega a comentar que não foram poucos os homens que acabaram falindo para manter as esposas frequentadoras assíduas da corte e da “biblioteca” do imperador.Em 1882, um escândalo público envolvendo a família imperial abateu-se contra dom Pedro II. Alguns dias após a comemoração do aniversário de 60 anos de dona Teresa Cristina, o casal imperial deixou o Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e partiu para Petrópolis. As joias usadas pela imperatriz e pela princesa Isabel foram entregues ao camarista. Como não encontrou a chave do cofre, ele deixou a caixa que recebeu dentro de um dos armários do palácio, de onde ela desapareceu. Três pessoas foram presas, dois funcionários do palácio e um ex-funcionário, Manuel Paiva. Este, afastado do serviço imperial por suspeita de roubo, morava de favor em uma casa dentro do terreno do palácio de São Cristóvão e possuía as chaves da residência do imperador.
Uma carta anônima revelou o paradeiro das joias: estavam dentro de uma lata enterrada no fundo da casa de Paiva. Após a solução do caso, dom Pedro II resolveu deixar as coisas como estavam. Os acusados foram postos em liberdade, e Manuel Paiva retornou para casa. Os jornais contrários ao imperador e à monarquia diziam que a Justiça do Brasil havia sido enterrada no mesmo “lamaçal” onde as joias haviam sido encontradas. Enquanto alguns diários louvavam a benevolência do imperador em relação aos acusados, os mais exaltados o criticavam: se ele era tão negligente com a administração da casa, como cuidava do Império?
O jornal O Mequetrefe afirmou que o imperador era refém de Manuel Paiva. O ex-servidor teria sido seu alcoviteiro, servindo de facilitador com as damas pelas quais dom Pedro II se interessava e de acompanhante em suas aventuras amorosas noturnas. O pasquim também afirmava que, além das senhoras, o imperador era “doido por um caldinho de franga”. Os autores José do Patrocínio, Raul Pompeia e Artur Azevedo criaram peças e contos publicados na Gazeta de Notícias, na Gazetinha e naGazeta da Tarde a respeito do caso. A correspondência da Barral com o imperador revela que algo de verdade deveria haver no meio de tanta suspeita. A condessa alertou dom Pedro para “modificar seu modo de vida, porque na mocidade desculpa-se muita coisa, mas na velhice nada, e Vossa Majestade deve dar o exemplo”.
sábado, 27 de dezembro de 2014
MEC Cid Gomes dá primeiras indicações sobre gestão do Ministério da Educação
A principal bandeira levantada por Cid Gomes, durante entrevista ao jornal O Globo,
foi a divisão do currículo por área de conhecimento no ensino médio. A
medida permitiria aos estudantes um aprofundamento nas áreas que tem
mais afinidade.> Caravana de cearenses vai acompanhar a posse de Cid no Ministério
O governador chama o atual modelo de "enciclopedista", porque exige a abrangência a todas as áreas do conhecimento, o que ele defende ser um dos causadores da evasão nessa etapa escolar.
"Se o jovem tem vocação mais para a área tecnológica, aprofundar matemática, física; se tem vocação mais para a área de humanas, poder ter sociologia, fiolosofia. Não forçar todos a terem tudo, como é hoje, que se obriga todos os alunos do ensino médio a terem conhecimento sobre todas as áreas. Como é uma novidade, vai de encontro à tradição de pelo menos 40 anos no país, deve ser precedido de uma grande discussão, vamos ouvir experiências de outros países, tem diversos modelos, mas acho que é possível mudar em quatro anos", disse ao GLOBO.
Sobre o financiamento da educação, Cid reconheceu a necessidade de mais recursos, mas elogiou o esforço recente do Congresso Nacional com o aumento do percentual do PIB para área.
No projeto nacional para a educação, o futuro ministro afirmou que terá foco diferenciado no Norte e Nordeste para diminuir as desigualdades regionais. De acordo com ele, a principal frente de trabalho será a ampliação na oferta de escolas em tempo integral.
Questionado em relação a falta de participação específica na área da educação, Cid defendeu que obteve grande experiência como Governador, quando implantou Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC), que acabou sendo adotado em âmbito federal com o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).
Sobre a sua indicação para o ministério, Cid Gomes diz não acreditar que entrou na cota política das indicações de partidos. Ele lembrou que sua legenda, o PROS, tem apenas 11 deputados e que se vê, acima de tudo, como um gestor.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Ayrton Santos alerta que no final de ano há momentos de festas e também momentos de cuidados e perigos
Muitas festas acontecem nos finais do ano e em todas as cidades, muitas pessoas gostam de viajar para outros lugares, muitos vem de longe para encontrar a família e passar a virada com essas pessoas especiais, apesar de muitos acontecimentos bons como: trocas de presentes, jantar em família e etc, também ocorrem muito perigo entre todas as pessoas principalmente entre os adolescentes, pois os mesmos adoram sair para as festas para dançar, beber e namorar. e dentre umas dessas coisas é que estar o perigo, um deles é o excesso de bebida que mistura com volante e velocidade e vem a causar acidente e atropelamentos, outro ponto é a questão dos assaltos, em uma brincadeira existe muitas pessoas boas como também muitas ruins que vão atrás de violência e furtar os bens das pessoas. Um dos pontos muito perigoso também é a questão do sexo sem preservativo, pois nessas festas as oportunidades são grandes e os cuidados são poucos, levando em consideração que é coisas de momento que não vai dar em nada e muitas vezes acabam ingerindo uma doença sexualmente transmissível ou até mesmo uma gravidez indesejada, até mesmo em momento ainda que a idade não permite. Por isso na maioria das vezes não devemos irmos pela a cabeça de muitos, receber conselhos que não são tão bons e que devemos pensar 2 vezes antes de fazer o que não se sabe que é de certeza, então temos que colocar a cabeça para pensar principalmente nesta época do ano.
Realização Ayrton Santos o blogueiro polêmico!
Realização Ayrton Santos o blogueiro polêmico!
Maurício de Nassau, o brasileiro
Ele passou apenas sete anos no Brasil, mas hoje, 400 anos depois de seu nascimento, seu nome está associado à época de ouro da presença holandesa no Recife. Ao voltar para Europa, fracassado econômica e militarmente, e até a morte, Maurício de Nassau seria chamado de "o brasileiro"
No amanhecer de 9 de maio de 1624, moradores de São Salvador da Bahia viram entrar no porto uma frota de 25 velas que exibiam reluzentes canhões pintados de vermelho. Eram os holandeses, ou flamengos, que em menos de um dia tomaram a cidade, num ataque à sede do governo-geral do Brasil. Ali, do outro lado do Oceano Atlântico, no novo mundo, iniciara-se mais um episódio da guerra de independência dos Países Baixos (atual Holanda) contra a Espanha – a quem América portuguesa foi anexada em 1580. No ano seguinte, os 1,9 mil soldados holandeses foram dominados e entregaram suas armas ao exército do rei da Espanha. A cidade foi reconquistada. Em 14 de fevereiro de 1630, os flamengos reapareceram, dessa vez com uma armada de 67 velas. Desembarcaram em Pau Amarelo, litoral norte de Pernambuco, e tomaram a direção de Olinda. Tentaram apoderar-se da vila e, no fim, estabeleceram-se no povoado do Recife. Onde ficariam por 24 anos. Nesse período, Recife se tornaria a Nova Holanda. E, para governá-la, a Companhia das Índias Ocidentais enviou para o Brasil o conde Maurício de Nassau. Ao desembarcar em 1637, ele daria início à chamada “idade de ouro” do Brasil holandês.
O contexto histórico em que se deu a vinda dos holandeses para o Brasil é o dos conflitos europeus em torno da questão colonial. “Os Países Baixos rivalizavam com a Espanha pelo controle do rentável comércio marinho de especiarias asiáticas, escravos africanos e, como não poderia deixar de ser, pelo açúcar brasileiro”, afirma a historiadora Adriana Lopez, autora do livro Guerra, Açúcar e Religião no Brasil dos Holandeses. Assim, a capitania de Pernambuco tornou-se um inevitável campo dessa briga. Para a Companhia, a sede do governo-geral interessava politicamente e a capitania de Pernambuco economicamente. Pois no início do século 17, a região abrigava mais de 120 engenhos e, com as capitanias vizinhas, tornou-se “a área de produção açucareira mais importante do mundo”, segundo o historiador Evaldo Cabral de Mello, em O Brasil e os Holandeses.
À Companhia das Índias Ocidentais, criada em 1621 pelos holandeses, cabia o monopólio sobre a conquista, o comércio e a navegação na América e na África. Assim como à Companhia das Índias Orientais estava reservada a parte oriental do mapa-múndi. “As duas dividiram entre si o mundo, tal qual os reis de Portugal e da Espanha pactuaram Tordesilhas”, diz Adriana.
Expulsos da Bahia, os soldados da Companhia tomaram Recife e Olinda. A região transformou-se num só fogo: os engenhos foram abandonados, os canaviais incendiados. Moradores recrutados formaram patrulhas organizadas por Matias de Albuquerque, governador da capitania, que conseguiu manter, por cinco anos, os inimigos restritos ao povoado do Recife.
Com a ajuda de Domingos Fernandes Calabar, luso-brasileiro conhecedor dos labirínticos rios pernambucanos, os holandeses dominaram parte do nordeste do Brasil, da foz do Rio São Francisco até o Rio Grande. De lá, partiram para a conquista do Maranhão (que só foi conquistado em 1641). A queda do Forte dos Afogados, no Recife, em março de 1633, abriu aos invasores o caminho para os engenhos da Várzea (onde hoje está um dos mais aprazíveis bairros do Recife). Também foram pilhados os engenhos em Goiana e Igarassu, com a conquista da vizinha Itamaracá. Os holandeses atacaram o Forte do Cabedelo, na Paraíba, ao norte, e Porto Calvo, em Alagoas, ao sul. Estavam assim tomado o Nordeste açucareiro e seus pontos de comunicação com a Europa, por onde chegavam mantimentos e escoava-se a produção.
Conquistado o território, chegou a hora de a Companhia organizar sua nova colônia e colocá-la para funcionar – e lucrar. Para a tarefa, chamou um certo Johan Maurits von Nassau-Siegen. Nascido há exatos 400 anos, ele era filho de uma importante família da Europa e, aos 32 anos, tinha uma vitoriosa carreira militar. Parecia ser o homem certo para a função.
Como governador da Nova Holanda, -receberia 1,5 mil florins mensais (o melhor terreno no centro do Recife custaria cerca de 2,5 mil florins) além de seu salário como coronel do Exército, mais uma ajuda de 6 mil florins para despesas pessoais. E ainda o direito a 2% sobre tudo o que fosse apreendido no litoral do Brasil. Era uma proposta irrecusável, principalmente para quem, na época, construía um palácio, em Haia, na Holanda, e estava cheio de dívidas.
Mas o novo governador não veio só. Ao todo, uma comitiva com 46 artistas, cronistas, naturalistas e arquitetos, o acompanhou em sua viagem ao Brasil. Eles seriam responsáveis pela documentação não só das obras do governo, mas da sociedade recifense da época. “Projetaram uma nova cidade, reproduziram as paisagens, fizeram mapas, catalogaram animais e plantas, e retrataram o homem indígena e africano. A fidelidade e a precisão de todo esse trabalho faz com que até hoje seja considerado um importante acervo da história das ciências”, diz o historiador Leonardo Dantas Silva. Até então, o Novo Mundo jamais fora alvo de observações tão precisas. “É essa produção que faz, hoje, o período holandês ser tão lembrado por meio da figura de Nassau – que permaneceu no Brasil apenas sete dos 24 anos de ocupação”, afirma Adriana.
Recife, que relatos da época chamam simplesmente de “povo”, era, no começo do século 17, um burgo “que os nobres de Olinda deviam atravessar pisando em ponta de pé, receando os alagados e os mangues”, escreveu José Antônio Gonsalves de Mello Neto, no clássico Tempo dos Flamengos. A situação agravou-se em novembro de 1631, quando os holandeses incendiaram Olinda. A cidade e “seus inacessíveis oito morros e casas distantes entre si” era difícil de defender das investidas dos portugueses e, por isso, acabou condenada à destruição pelos invasores.
Quando chegou no Recife, em 1637, Nassau encontrou uma população de cerca de 7 mil pessoas obrigada a conviver nas piores condições de higiene e conforto. Para enfrentar a falta de habitações, iniciou a construção, na Ilha de Antônio Vaz (hoje, o bairro de Santo Antônio, no centro do Recife), do que veio a ser a Mauritsstaden ou, para nós, em bom português, a Cidade Maurícia. Ali, ele erigiu para si dois palácios, o de Friburgo e a casa da Boa Vista. E iniciou a urbanização do povoado, seguindo um projeto que contemplava ruas, praças, pontes, mercados, canais, jardins e saneamento, enfim uma cidade de verdade. Afinal, “os holandeses que aqui estiveram eram todos originários de aglomerados urbanos e, por isso mesmo, não poderiam pensar numa cidade que não fosse voltada para o urbano”, diz Leonardo.
Nassau determinou que os moradores varressem a rua defronte suas casas e os orientou “a não despejar mais as imundices senão nas praias”, escreveu Mello Neto. O Recife (atualmente o Bairro do Recife) foi, enfim, em 28 de fevereiro de 1644, ligado à Cidade Maurícia com a construção da primeira ponte da América Latina (onde atualmente fica a ponte Maurício de Nassau). Para a inauguração, Nassau anunciou à população que um boi iria voar sobre suas cabeças. Para surpresa geral, na hora da festa, um boi, ou melhor, o couro de um boi enchido com palha, preso a uma corda, desceu por uma corda do alto do Palácio Friburgo.
Recife tornou-se a cidade mais cosmopolita do continente. Holandeses, franceses, alemães, poloneses que integravam os quadros da Companhia das Índias acorriam para lá. Mulheres chegaram da Holanda e fizeram que o Recife, segundo um relato da época, tivesse os “bordéis mais vis do mundo”. A cidade passou por um terrível surto de sífilis. Doença de cidade grande.
Apesar da relativa paz entre os invasores holandeses e os locais portugueses e brasileiros, durante as obras da Cidade Maurícia, a Companhia passou a questionar a administração de Nassau, que não obtinha os lucros que esperava. “Os novos dominadores eram formados em sua maioria por comerciantes e gente da navegação, acostumados a viver em áreas urbanas e, como tal, não se adaptaram à vida rural, onde se encontravam os principais núcleos da produção do açúcar”, diz Leonardo Dantas, em seu novo livro, João Maurício Brasileiro (ainda inédito). “Eis a primeira falha da tentativa de colonização holandesa no nordeste do Brasil: os invasores podiam ter conseguido apoderar-se dos engenhos, mas não das técnicas de produção de açúcar.”
Ao conquistar Pernambuco, os holandeses confiscaram parte dos engenhos. Os senhores, então, tiveram de pagar caro ao novo governo por suas terras. Quem não teve como pagar ficou devendo. Nassau fazia vista grossa, mas, por pressão da Companhia, passou a cobrar os empréstimos. Assim, atraiu a revolta daqueles que sabiam transformar cana em açúcar. “Ao fazer isso, cultivou entre os donos de engenhos o sentimento de que era melhor – e mais barato – se livrar dos holandeses”, diz Pedro Puntoni, pesquisador da Universidade de São Paulo.
A empresa exigiu o aumento da arrecadação e a cobrança imediata das dívidas e, como não foi atendida, em maio de 1643, o governo holandês mandou que Nassau retornasse. Porém, ele demorou quase um ano para obedecer. Num documento, o seu Testamento Político, Nassau recomendou que, na sua ausência, o governo fosse tolerante com práticas religiosas e exercesse sem rigor a cobrança dos créditos dos engenhos. Que conservasse as fortificações, não abusasse das torturas e fizesse o que fosse possível para atrair a simpatia dos comerciantes portugueses.
Do outro lado do oceano, a Companhia das Índias empobrecia. Por isso, enviava menos recursos para a colônia que, aos poucos, entrou em colapso. “Do início da guerra de restauração, em 1645, até a expulsão total dos holandeses, em 1654, foram anos de muita penúria no Brasil holandês”, diz Adriana Lopez. Cercada no Recife, a população foi obrigada a incluir gatos, cachorros, cavalos e até ratos no cardápio.
O conde Nassau voltou à Europa no mesmo barco que o trouxera ao Brasil, o Zuphen. Ao seu redor, navegava uma frota de 13 navios, e um carregamento avaliado em 2,6 milhões de florins, composto principalmente de açúcar, fumo, pau-brasil e madeiras de lei. Para se ter uma idéia, a ponte construída por Nassau anos antes custou 140 mil florins. Com ele, estavam, além de amostras de plantas, animais e artefatos indígenas, toda a produção de seus cronistas, pintores e naturalistas. Material que, desde aquele momento, iria dar à Europa um valioso testemunho das riquezas naturais e culturais no Novo Mundo. Esse acervo também fez com que Johan Maurits von Nassau-Siegen passasse a ser lembrado, até hoje, em terras do além-mar, como Maurício Brasileiro.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Dilma anuncia Cid como ministro da Educação hoje, diz jornal
O governador Cid Gomes (Pros) deve estar presente na leva de ministros a ser anunciada hoje pela presidenteDilma Rousseff (PT), segundo o jornal Folha de S. Paulo. O governador foi chamado ontem com urgência a Brasília para reunião com a petista, tendo cancelado sua participação na reinauguração do Cine São Luiz – sendo substituído pelo governador eleitoCamilo Santana (PT) – e adiado seu discurso na Assembleia Legislativa, programado para a manhã de hoje, para o fim da tarde.
Além de Cid, também são dados como certos os nomes de Kátia Abreu para a Agricultura e Eduardo Braga para Minas e Energia. O partido ainda deve indicar os titulares da secretaria dos Portos, do Ministério da Pesca e da Aviação Civil.
São cogitados também o governador da Bahia Jacques Wagner (PT) na pasta da Defesa e a troca de Ricardo Berzoini (PT) das Relações Institucionais para as Comunicações. O atual titular da Defesa, Celso Amorim (PT), é cotado para retornar ao Itamaraty, onde já esteve durante os governos Sarney (PMDB) e Lula (PT).
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Estrada de acesso a praia do Macapá no litoral do estado do Piauí com o Morro da Tatajuba em cima da Rodovia
Leitora envia imagens da estrada de acesso a praia do Macapá no litoral do estado do Piauí com o Morro da Tatajuba em cima da rodovia, dificultando o tráfego de veículos no local. Muito arriscado para aquelas pessoas que vem passar natal ou virada de ano na casa de familiares e que tenham que passar por este local e não conhece da situação desta rodovia, Acho que já cabia a administração do município resolver este grande problema que torna em risco a vida de muitas pessoas, além de bloquiar a passagem.
Portanto, quem for a praia do Macapá ou seguir viagem para outras praias como Barra Grande, seria bom pensar antes de pegar essa estrada.
Resultado da Eleição para a escolha do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Granja-Ce
No domingo de ontem 21/12/14 aconteceu no município de Granja a Eleição para a escolha do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do municipio e o atual Presidente Pedro Regino da Hora Chapa 2 foi reeleito novamente com 1963 votos enquanto Edgar Jose da Silva chapa 1apurou 456 votos perdendo com uma diferença de 1507 votos, e a votação foi realizada pelo os Trabalhadores Rurais de Granja com suas Previdências Sociais em dias e o Presidente eleito Pedro Regino da Hora tomará posse no novo mandato dia 04 de Fevereiro de 2014
domingo, 21 de dezembro de 2014
Missa de Despedida do Padre Rocélio da Paróquia de Timonha
Hoje 21/12/2014 missa de despedida do Padre Rocélio na Paróquia de Timonha, e logo em seguida teve um jantar no salão paroquial onde aconteceu várias homenagens, agradecimento a ele pelo os fiéis presente, o mesmo vai passar por tempos de estudos em sua vida, já fazia um bom tempo que ele estava nesta paróquia, basicamente uns 3 anos,ele é um padre jovem e natural de Camocim-Ce. Entrará um novo padre de nome Elias (foto 2) o mesmo vem diretamente da Sede de Granja-Ce e é natural de Chaval-Ce, e a posse do padre Elias será dia 23/12/2014 as 18 horas na Igreja Matriz de Timonha
Reportagem Ayrton Santos o blogueiro polêmico com informações do fotografo José Roberto de Timonha-Ce.
Marquês de Pombal contra o velho mundo
Em 1723, o português Sebastião José de Carvalho e Melo raptou Teresa de Noronha e Bourbon Mendonça e Almada, uma formosa viúva pertencente à mais alta elite de seu país. Casaram-se contra a vontade da família dela, que não via com bons olhos sua união com um obscuro membro da pequena nobreza. O matrimônio não gerou filhos, mas foi uma amostra da ousadia do homem que mudaria o destino de Portugal. O futuro marquês de Pombal era tudo, menos um romântico sonhador. Da mesma maneira que traçou com mão de ferro as linhas de sua vida pessoal, Carvalho e Melo conduziu os portugueses após um dos mais terríveis desastres naturais da história da humanidade: o terremoto de Lisboa, que devastou a capital portuguesa em 1755.
A figura do marquês entrou de modo ambíguo nos livros de história. Ora retratado como déspota esclarecido, ora como ditador sanguinário, muitos foram os adjetivos usados para descrever o poderoso ministro, que comandou Portugal durante o reinado de José I. Ninguém questiona, entretanto, o fato de que Pombal tornou-se um marco na história do império português – que, na época, incluía o Brasil. Nascido em 1699, Carvalho e Melo não deu mostras na juventude de que seria um grande líder. Por influência de seu tio Paulo de Carvalho, que dava aula na Universidade de Coimbra, ele conseguiu se matricular naquela instituição. Mas logo abandonou os estudos para entrar no exército, onde não conseguiu passar do posto de cabo. Desiludido, decidiu estudar Direito e História – o que lhe rendeu, aos 34 anos, um posto na Academia Real da História.
Depois do casamento, Carvalho e Melo se mudou de Lisboa para a vila de Soure, onde a família de Teresa tinha propriedades. Em 1738, graças a uma indicação do tio, ele conseguiu o posto de embaixador português na Inglaterra. Sua esposa, muito doente, não pôde acompanhá-lo e acabou morrendo no ano seguinte. Carvalho e Melo ficou na Grã-Bretanha por cinco anos, onde se mostrou um grande negociador e aproveitou para conhecer a fundo as instituições inglesas. Retornou a Portugal e, em 1745, foi enviado como diplomata à Áustria. Lá, casou-se pela segunda vez, desposando a condessa Maria Leonor Ernestina Daun.
O segundo casamento de Carvalho e Melo, abençoado pela imperatriz austríaca Maria Tereza, permitiu-lhe subir mais um degrau no complicado jogo de xadrez da corte portuguesa. Ao ver o ambicioso político se casar com uma conterrânea, a esposa de João V, Ana da Áustria, resolveu torná-lo seu protegido. Em 1749, após assumir o governo por causa do péssimo estado de saúde do rei, ela convocou Carvalho e Melo de volta a Portugal para fazer parte do ministério. Aos 50 anos, ele assistia ao início do auge de sua vida pública.
Com a morte de João V, em 1750, José I assumiu o trono e tomou as rédeas de um dos maiores e mais ricos impérios da Europa. Teve medo e, em vez de encarar a tarefa, preferiu a vida fácil das óperas e das caçadas. Deixou o trabalho pesado de governar nas mãos de seus assessores. Foi quando Carvalho e Melo tomou posse no cargo de secretário dos Negócios Estrangeiros, um dos três ministérios que concentravam as decisões do reino. Seus trunfos eram a experiência diplomática e um círculo de amigos que incluía eminentes cientistas, em especial membros da comunidade de expatriados portugueses – muitos deles tinham sido forçados a deixar o país por causa da Inquisição.
Quando dois terços de Lisboa ruíram com o terremoto, a situação ficou tão caótica que José I transferiu praticamente todo o poder para as mãos de seu ministro predileto. Carvalho e Melo coordenou o socorro às vítimas e rapidamente iniciou a reconstrução da cidade – afinal, era preciso que “se cuidasse dos vivos e se enterrassem os mortos”, conforme ele teria dito na ocasião. Em 1759, quando foi nomeado conde de Oeiras, o ministro já tinha se tornado praticamente um governante absoluto. O título sob o qual seria eternizado, marquês de Pombal, lhe foi dado por José I em 1769.
Lá e cá
Portugal dependia das riquezas brasileiras para sustentar os gastos luxuosos da corte. Em 1755, um jovem membro da Armada francesa, Chevalier des Courtils, resumiu a situação em seu diário de viagem: “Portugal é mais uma província do que um reino. Pode-se dizer que o rei de Portugal é um potentado das Índias que habita em terras européias”. E prosseguiu, atribuindo a grandeza do país apenas às suas colônias: “Os Estados vastos e ricos sob sua soberania no Novo Mundo, como o Brasil, o Rio de Janeiro, Bahia de Todos os Santos, Goa, a Madeira na África e os Açores na Europa, tornaram-no um príncipe considerável e colocaram-no entre as grandes potências européias, se considerarmos o valor de suas possessões”.
A dependência da metrópole com relação ao Brasil tornou-se tão aguda no século 18 que Luís da Cunha, um dos diplomatas e pensadores políticos portugueses mais influentes no período, anteviu a transferência da corte para o Rio de Janeiro (que ocorreria no século seguinte). Segundo ele, o rei tomaria o título de “Imperador do Ocidente” e nomearia um vice-rei para governar Lisboa. “É mais seguro e conveniente estar onde há abundância de tudo do que onde é preciso esperar pelo que se quer”, escreveu. Foi Pombal, aliás, quem tirou a sede do governo-geral brasileiro de Salvador, transferindo-a para o Rio em 1763.
Estava claro, portanto, que era preciso reorganizar todo o império para fazer frente à ascensão das outras potências européias. As chamadas “reformas pombalinas” mudaram drasticamente a economia do reino e das colônias. Inspirado em modelos mercantilistas ingleses, franceses e holandeses, Pombal criou várias companhias de comércio a partir de 1753: da Ásia, do Grão-Pará e Maranhão, da Pesca das Baleias, das Vinhas do Alto Douro e de Pernambuco e Paraíba. Controladas pelo Estado, elas comandavam as atividades econômicas e monopolizavam os negócios. A das Vinhas do Alto Douro, por exemplo, controlava a produção e a venda do vinho do Porto – produto do qual os ingleses eram os principais compradores.
No Brasil, a gestão de Pombal estimulou a diversificação agrícola. A colônia, que se dedicava essencialmente à produção de açúcar, passou a plantar mais arroz, tabaco, algodão e cacau. Ele também foi responsável pelo aumento na arrecadação de impostos sobre o garimpo – medida cada vez mais impopular, principalmente quando o ouro de Minas Gerais começou a se exaurir, a partir de 1760. Empenhado em taxar todas as riquezas que eram retiradas do solo brasileiro, Pombal aumentou a fiscalização nas capitanias (principalmente nos portos exportadores).
Nenhuma reforma de Pombal, no entanto, foi tão polêmica e tão importante quanto a expulsão dos membros da Companhia de Jesus, os chamados jesuítas, de Portugal, do Brasil e das outras colônias. Quando Pombal assumiu o governo, Lisboa era uma cidade rica, mas carola e conservadora. A maioria dos filósofos e escritores iluministas do século 18, quando precisava de um exemplo de superstição e atraso, recorria a Portugal. Voltaire chegou a escrever, sobre o governo de João V: “Quando queria uma festa, ordenava um desfile religioso. Quando queria uma construção nova, erguia um convento. Quando queria uma amante, arrumava uma freira” (de fato, João V teve inúmeros relacionamentos com religiosas).
A medida contra os jesuítas foi o ponto de partida de uma enorme mudança no sistema educacional, antes controlado por eles. Em 1759, Pombal criou a Aula de Comércio, escola destinada a formar homens capazes de atualizar as antigas práticas comerciais. No ano seguinte, tentou tornar os filhos da nobreza mais qualificados para exercer as altas funções do governo, fundando o Colégio dos Nobres – que foi um fracasso. Inspirado nas idéias iluministas, que circulavam havia muitos anos no resto da Europa, reformulou, a partir de 1772, a Universidade de Coimbra (onde costumavam estudar membros da elite colonial brasileira): tornou-a mais pragmática, valorizando as ciências naturais e criando a Faculdade de Filosofia e Matemática. No Brasil, carente de escolas, Pombal unificou a língua, tornando o português obrigatório em todo o território.
A queda
No período em que esteve no topo, Pombal acumulou poder, riquezas e inimigos. Com seus opositores, ele foi implacável: alguns foram condenados à prisão, outros, à morte. O caso mais emblemático de sua gestão foi a execução do marquês e da marquesa de Távora e do duque de Aveiro, em 1759, acusados de tramar um atentado fracassado contra José I no ano anterior. Ao permitir que eles fossem condenados à morte, Pombal deixou claro que seu poder não se sujeitava às antigas convenções e conchavos da política de Lisboa. Diante do ímpeto de Pombal, ser nobre não significava estar seguro.
Enquanto José I reinou, Pombal foi soberano. Mas, após a morte do monarca, em novembro de 1776, seu poder ruiu. Rapidamente, seus inimigos conseguiram neutralizar sua influência na corte. Demitido por decreto real no ano seguinte, acuado e sem apoio, Pombal foi forçado a abandonar a capital e partir para sua propriedade em Oeiras. A regente, a rainha dona Maria I (a mãe de João VI, que ficaria conhecida como “a Louca”), atendendo às solicitações do povo, proibiu o ex-ministro de sair de sua propriedade. A reclusão, entretanto, não foi suficiente para acalmar a reação dos nobres e populares que, durante anos, haviam tido que aceitar sua tirania. Muitos dos que haviam colaborado com o governo de Pombal foram exilados, presos, torturados ou mortos. Nas ruas de Lisboa, ecoavam palavras de ordem como: “Patrícios meus, clamai sobre o tirano/ saiba o mundo que foi o tal marquês/ ladrão, traidor, cruel e desumano”.
Renegado até pelos filhos, sozinho na enorme casa semi-abandonada, não tardou para que Pombal adoecesse. Velho e com lepra, ele lutou com abnegação nos processos movidos contra ele nos tribunais. Ainda possuía forças para escrever em sua própria defesa – incluindo nos textos vários elogios à monarca, numa vã tentativa de agradá-la. Em maio de 1782, ele descreveu seu estado numa declaração pública: “Presentemente me acho quase todo entrevado, sem poder pôr os pés no chão, nem sustentar-me sobre as pernas”. Cheio de dores e feridas no corpo, Pombal morreu logo depois, no dia 8 de agosto. Antes que seu corpo fosse embalsamado, passou por uma autópsia, assim descrita pelo historiador português João Lúcio de Azevedo em O Marquês de Pombal e a sua Época: “O coração, que abrigara tantos ódios, hipertrofiado, era enorme; o cérebro, onde nasceram ambições, também era volumoso”.
Até a invasão napoleônica de Portugal, no início do século 19, a memória de Pombal ficou no ostracismo. Mas, após João VI e sua corte transferirem para o Rio de Janeiro a sede do reino, em 1808, muitos portugueses com orgulho ferido recuperaram a imagem do ministro – como um grande líder que fora capaz de conduzir a nação.
O dia em que a terra tremeu
Terremoto arrasou Lisboa na época do marquês
O primeiro dia de novembro de 1755 brindou Lisboa com uma linda manhã de outono. O ar estava tépido e as igrejas, apinhadas de gente – era o dia de Todos os Santos. “Súbito, um ronco vaporoso, enorme trovão subterrâneo. Cavalgada de ciclopes, que se aproxima em doida correria, arrastar de carros gigantes nos abismos da terra. Nos altares, oscilavam as imagens; as paredes bailam; dessoldam-se traves e colunas; ruem paredes, com o abafado som da caliça que esboroa, e de corpos humanos esmagados; no chão, onde os mortos repousam, aluem-se os covais para tragar os vivos.” Na descrição clássica do historiador português João Lúcio de Azevedo, o terremoto de Lisboa alcança todo seu terror e magnitude. Um dos maiores desastres naturais na história, o evento intrigou filósofos e cientistas durante o século 18 e marcou a ascensão do marquês de Pombal. Acuado e com medo das hordas famintas de sobreviventes, o rei, José I, de seu palácio em Belém, deu plenos poderes ao único de seus ministros que se mostrou capaz de lidar com a tragédia. Pombal não perdeu tempo. Ordenou que os saqueadores fossem sumariamente enforcados, fixou os preços dos alimentos e do material de construção nos níveis anteriores ao desastre e fez com que os corpos das vítimas fossem amarrados a pesos e jogados no oceano. Calcula-se que entre 8 mil e 30 mil pessoas tenham morrido na tragédia. Quem sobreviveu ao tremor teve de enfrentar o maremoto que veio depois – segundo escreveu o então cônsul britânico em Portugal, Edward Hay, as águas “elevaram-se de 6 a 9 metros”. As perdas materiais foram incalculáveis. O Real Teatro da Ópera, terminado no mês anterior, ficou em ruínas. Trinta e cinco igrejas desabaram sobre os fiéis que rezavam – o tremor ocorreu bem no horário da missa. Em uma única mansão da cidade, perderam-se 200 pinturas (incluindo um Ticiano e um Rubens) e uma biblioteca com aproximadamente 18 mil volumes. Depois do socorro às vítimas, Pombal convocou engenheiros e topógrafos e tratou logo de reconstruir a cidade. Lisboa, depois das ações do marquês, tornou-se um exemplo da arquitetura iluminista: traçados retos substituíram as antigas vielas medievais e edificações monumentais foram erguidas para sediar a administração pública. A Biblioteca Real foi reorganizada, a partir de aquisições de livros, mapas e documentos em toda a Europa. Quando a corte portuguesa veio para o Brasil, em 1808, o acervo foi trazido para o Rio de Janeiro – e a maior parte dele ainda está lá, guardada na Biblioteca Nacional.
Cruzada antijesuíta
Vista como obstáculoàs reformas, ordem foi expulsa do império em 1759
Para fortalecer seu governo absolutista, o marquês de Pombal comprou algumas boas brigas. A maior delas provavelmente foi contra a Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada na França em 1534. Pombal não nutria exatamente um sentimento anti-religioso. Buscava reduzir a influência do grupo, a parte mais poderosa da Igreja em Portugal. O ministro saiu vitorioso e, em 1759, conseguiu expulsar os jesuítas de todo o império português. A medida teve enorme repercussão no Brasil. No ano da expulsão, os 670 membros da Companhia de Jesus que viviam aqui comandavam as principais instituições educacionais da colônia: os colégios jesuíticos. Além disso, os jesuítas mantinham sob sua tutela milhares de índios – só nas missões guaranis, que ocupavam um território hoje dividido entre Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina, chegaram a viver mais de 140 mil pessoas. Um dos argumentos usados por Pombal contra a ordem religiosa foi a recusa de jesuítas espanhóis em obedecer ao Tratado de Madri, de 1750, que os obrigava a entregar a Portugal as missões a oeste do atual Rio Grande do Sul. Segundo o marquês, os jesuítas incentivaram os índios a mergulhar numa rebelião contra os europeus que só seria controlada em 1767. No norte da América portuguesa, os religiosos bateram de frente com o governador do Maranhão e Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão de Pombal. Organizados pelos jesuítas, os índios muitas vezes se recusavam a se submeter às necessidades da coroa. A expulsão da Companhia de Jesus foi acompanhada por uma vingança pessoal. Pombal denunciou o padre Gabriel Malagrida à Igreja por heresia, se aproveitando do fato de que outro de seus irmãos, Paulo de Carvalho e Mendonça, era o inquisidor-mor de Portugal. Malagrida (que havia fundado o seminário Nossa Senhora das Missões, no Pará) era o maior inimigo do ministro entre os jesuítas. Condenado, o religioso foi enforcado e queimado em 21 de setembro de 1761. Mesmo fora de Portugal, a ordem religiosa não foi deixada em paz por Pombal: continuou sofrendo com seus ataques, agora no campo diplomático. Em 1773, a Companhia de Jesus acabou extinta pelo papa Clemente XIV. Ela seria restabelecida em 1814, mas sem o mesmo poder político de antes.
Como perpetuar uma ditadura
De todos os países latino-americanos que passaram pela experiência de uma ditadura militar nas últimas décadas, o Brasil se destaca no direito internacional por sua situação catastrófica.
Enquanto Argentina, Chile e Uruguai passaram, cada um à sua maneira, por processos profundos de julgamento dos responsáveis por crimes contra a humanidade perpetrados por funcionários de Estado, o Brasil brilha por nunca ter colocado um torturador no banco dos réus. Enquanto vários países fizeram revisões de suas leis e instituições, o Brasil conseguiu preservar algumas das mais brutais heranças jurídico-institucionais da ditadura militar.
Não entenderemos nada sobre essa resiliência da ditadura militar brasileira se não começarmos por perguntar sobre a especificidade do regime implantado entre nós no período 1964-1984. A moda atual é dizer que ditadura mesmo houve apenas durante um pequeno período, mais precisamente entre 1969 e 1979, quando vigorou o AI-5. Antes e depois teria ocorrido um regime autoritário, mas nada que se comparasse a uma verdadeira ditadura. Afinal, como se diz, até partido de oposição existia (no caso, o antigo MDB). A vantagem de lermos análises deste calibre em livros e jornais é perceber claramente o verdadeiro nível de comprometimento de alguns analistas com a democracia. Eles não temem em colocar nas ruas um profundo negacionismo revisionista, digno das piores análises históricas, a fim de desqualificar a necessidade de punir exemplarmente os que implementaram e deram suporte à ditadura brasileira. Talvez porque temam a reflexão que nasceria de um ato de tal natureza.
A tentativa de apagar aos poucos a ditadura da história brasileira só pode ocorrer porque os militares procuraram, desde o início, criar uma forma renovada de totalitarismo. Ele consistiu em não apelar a um típico regime na base da lei e da ordem, com suspensão total de todas as liberdades individuais, bloqueio completo da produção cultural, eliminação sistemática de todo e qualquer opositor e anulação soberana da integralidade das estruturas político-partidárias. Daí a impressão de que, comparada a países como Argentina e Chile, a ditadura brasileira teria sido branda, inclusive com menos mortos e desaparecidos.
É verdade que, em plena ditadura, era possível levar para casa discos com canções de protesto, comprar livros de Karl Marx nas bancas e livrarias, votar no partido de oposição. No entanto, devemos lembrar que o totalitarismo está ligado à generalização de situações de exceção nas quais a lei pode ser, a qualquer momento, suspensa, pois há sempre uma segunda lei não-dita que pode interferir e se fazer sentir. Posso comprar livros de Marx e levá-los para casa, mas, a qualquer momento, por razões as mais diversas possíveis, posso ser enquadrado por isto e processado pela Lei de Segurança Nacional. Generaliza-se uma situação na qual nunca sei, com clareza, se estou dentro ou fora da lei, cabendo à atitude discricionária do poder decidir minha real posição. O modo como a lei é aplicada é uma decisão soberana do Estado, cujo poder volta a ter um funcionamento quase monárquico. Aceita-se a existência de um Congresso Nacional com deputados de oposição, mas, caso suas decisões desagradem, está sujeito a ser fechado por tempo indeterminado. A legalidade é reduzida à condição de aparência.
Se quisermos ter ideia do peso da ditadura na sociedade brasileira, devemos procurar não o número de mortos, mas o número de processos abertos contra opositores. As mortes podem funcionar de maneira cirúrgica. Não preciso matar 10 mil. Com 450, é possível colocar a sociedade em estado de medo e paralisia. No entanto, já nos primeiros anos da ditadura mais de 30 mil processos se avolumavam contra opositores e acusados de atividades contra o regime.
Essa capacidade em reduzir a legalidade à situação de aparência foi usada com maestria pela ditadura militar brasileira. Ela serviu não apenas para quebrar o ímpeto oposicionista, mas principalmente para perpetuar seu legado após o fim oficial. Dando-se a impressão de legalidade e apoiando-se em uma vergonhosa lei de anistia que vai na contramão do direito internacional – que entende serem imprescritíveis os crimes contra a humanidade, e objetos de uma jurisdição que se sobrepõe às leis nacionais – permitiu-se que todas instituições escapassem de exigências de depuração. Para ficar em um só exemplo, a Polícia Militar conseguiu a proeza de não afastar de seus quadros a maioria dos envolvidos em tortura sistemática contra presos políticos. Como resultado, o Brasil é atualmente o único país latino-americano onde o número de casos de tortura aumentou em relação àqueles ocorridos no regime militar, como mostra estudo realizado pela socióloga norte-americana Kathryn Sikkink. Poderíamos insistir que nenhuma empresa que apoiou ou financiou o golpe foi obrigada a fazer sequer um mea culpa público, assumindo a responsabilidade por sua ação. Por mais paradoxal que possa parecer, a única a fazê-lo foram as Organizações Globo. Desta forma, a sociedade não sinaliza repulsa em relação à conspiração contra o funcionamento de sua democracia.
Mesmo nossas leis constitucionais continuaram permeadas pelo legado ditatorial. O Brasil foi capaz de legalizar o golpe de Estado em sua Constituição de 1988. No artigo 142, as Forças Armadas são descritas como “garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Ou seja, poderemos ver situações nas quais, por exemplo, o presidente do Senado pede a intervenção militar em garantia da lei (mas qual?, sob qual interpretação?) e da ordem (social?, moral?, jurídica?) para legalizar constitucionalmente ações arbitrárias.
A incapacidade de construir uma repulsa coletiva visível à ditadura é a maior responsável pela perpetuação da lei de anistia. Valeria a pena insistir no absurdo que é a leitura oficial de tal lei, como se fosse resultado de ampla negociação com setores da sociedade civil e da oposição.
A insistência em conservar essa leitura é ilegal sob dois aspectos. Primeiro, há um conflito de soberania. O Brasil, ao reconhecer a existência do conceito de “crime contra a humanidade”, e até aceitando a jurisprudência de um Tribunal Penal Internacional, abriu mão de parte de sua soberania jurídica em prol de uma ideia substantiva de universalidade de direitos. Os acordos políticos nacionais não podem estar acima da defesa incondicional dos cidadãos contra Estados que torturam, sequestram, assassinam opositores, escondem cadáveres e estupram. Isso vale tanto no Brasil quanto em Cuba, na França ou em qualquer outro lugar.
Além disso, a lei é ilegítima em sua essência. Na verdade, não houve negociação alguma, mas pura e simples imposição das condições a partir das quais os militares esperavam se autoanistiar. O governo de então recusou a proposta do MDB de anistia ampla, geral e irrestrita, tal como a sociedade civil organizada exigia, e enviou para o Congresso Nacional o seu próprio projeto.
Por não ter representatividade alguma, o projeto passou na votação do Congresso por 206 votos contra 201, com todos os votos favoráveis vindos da antiga Arena. Ou seja, só em um mundo paralelo alguém pode chamar de “negociação” um processo no qual o partido governista aprova um projeto sem acordo algum com a oposição.
O texto da Lei da Anistia era claro a respeito de seus limites. No segundo parágrafo do seu primeiro artigo, lê-se: “Excetuam-se dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, de assalto, de sequestro e atentado pessoal”. Por isso, a maioria dos presos políticos não foi solta em 1979, ano da promulgação da lei. Eles permaneceram na cadeia e só foram liberados por diminuição das penas. Os únicos anistiados, contra a letra da lei que eles próprios aprovaram, foram os militares que praticaram terrorismo de Estado, sequestro, estupro, ocultação de cadáver e assassinato.
A Lei da Anistia consegue a proeza de ser, ao mesmo tempo, ilegítima na sua origem e desrespeitada exatamente pelos que a impuseram. Um belo exemplo do tipo de singularidade lógica que a ditadura militar nos legou.
Vladimir Safatle é professor da Universidade de São Paulo e autor de A esquerda que não teme dizer seu nome. (Três Estrelas, 2012).
Aniversário do ex-prefeito de Luís Correia Kim do Caranguejo será marcado com festa em Brejinho de Fátima
Na próxima terça-feira, 23 de dezembro, a localidade de Brejinho de Fátima estará comemorando em praça pública o aniversário do ex-prefeito de Luís Correia, Kim do Caranguejo. A festa contará com a banda de forró Bonde do Estourado. Mesmo afastado da prefeitura o ex-prefeito é unanimidade na região mostrado principalmente com as vitórias nas urnas de seus candidatos no mês de outubro, sempre junto com a população o ex-prefeito é uma pedra no sapato da atual prefeita Adriane Prado e cotado como o favorito para as eleições de 2016.
MODELO EDUCACIONAL DE SOBRAL É APRESENTADO NOS ESTADOS UNIDOS
O modelo educacional de Sobral foi apresentado em um encontro sobre Educação, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, Estados Unidos, no dia 25 de novembro. A apresentação foi feita pelo Secretário de Educação do Município, Julio César da Costa Alexandre. No encontro também foram apresentadas as experiências de Buenos Aires (Argentina) e Antioquia, na Colômbia.
O modelo de Educação desenvolvido em Sobral foi elogiado pela vice-ministra da Educação do Canadá, Mary Jane Gallagher, responsável pelo modelo educacional da província de Ontário, considerada a melhor Educação das Américas e uma das melhores do Mundo. “Fomos convidados para uma visita técnica para troca de experiências com o governo canadense”, disse Julio César.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Gabriel Medina torna-se o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe
Conquista foi nas ondas mais tradicionais do mundo, em Pipeline, no Havaí.
Brasileiro tem apenas 20 anos e conseguiu vencer o recordista Kelly Slater.
Pela primeira vez um brasileiro tornou-se campeão mundial de surfe: Gabriel Medina, de 20 anos de idade. A conquista foi nas ondas mais tradicionais do mundo, em Pipeline, no Havaí.
Conquistar um título mundial no Havaí é o auge da carreira de qualquer surfista. Quando isso acontece aos 20 anos, é porque um talento raro apareceu no esporte. “O Gabriel, com quatro anos, já não queria ajuda e já ficava em pé. A gente ficava impressionado”, conta Simone Medina, mãe de Gabriel.
Em Maresias, no litoral norte de São Paulo, é onde o filho mais velho de Simone nasceu. A prancha sempre foi o brinquedo favorito de Gabriel Medina, mas o menino começou a encarar aquele objeto de um jeito diferente aos nove anos, quando a família ganhou um reforço.
“O Gabriel começou a me chamar de pai, né, então, na hora que ele falou ‘Pai’, eu disse ‘Nossa, que legal, ganhei um filho’”, lembra Charles Rodrigues, pai e treinador de Gabriel Medina.
Padrasto não é um título à altura da relação entre Charles Rodrigues e Gabriel Medina. Esse ex-tri-atleta uniu o gosto pelo surfe ao amor pela nova família, virou pai do dia para a noite e insistiu em treinar aquele menino como gente grande.
“Foi eu e ele, em uma cidade pequena, uma praia pequena, onde a gente foi colhendo informações e tentando estudar o surfe, tentando ver o que seria melhor para o Gabriel, que era muito talentoso. Então, quer dizer, não teve influência muito de outras pessoas, a gente não deu muito ouvido para os outros e acabou dando certo”, conta Charles Rodrigues.
Nos últimos dez anos, os dois viajaram o mundo juntos. Gabriel foi campeão mundial juvenil. “Junior”, conseguiu uma vaga na divisão de elite do surfe aos 17 anos de idade, em 2011, quando ele conquistou a primeira de cinco etapas de vitória no circuito, mais do que qualquer outro brasileiro já fez.
Só neste ano Gabriel conquistou três campeonatos. Um deles na perigosa onda de Teahupoo, no Taiti, contra Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais.
“Ele tem esse negócio, esse instinto competitivo que é natural dele já, e essa calma também, que ele empregava. Juntando isso que ele, na bateria, consegue raciocinar e fazer o melhor dele. E ele não tem medo”, descreve Charles Rodrigues, padrasto de Gabriel Medina.
Medina vai completar 21 anos no dia 22 de dezembro. Neste ano, no berço do surfe mundial, ele conquistou o melhor dos presentes de aniversário. Gabriel também antecipou em alguns dias o Natal de milhões de surfistas brasileiros.
“Esse título vai pertencer a todo brasileiro que se movimentou para que o surfe pudesse ter um espaço de mídia, como está tendo agora, para que pudesse ser respeitado pelas pessoas como um esporte decente, um esporte que dá futuro para muita gente, que faz dar orgulho para um país inteiro. Porque a gente sabe o fenômeno que está se lançando aí”, diz o surfista Teco Padaratz.
Um fenômeno de popularidade, próximo de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, capaz de mobilizar torcedores para os pontos mais remotos do planeta, principalmente por não deixar tanto o sucesso subir a cabeça.
“Eu acho que isso é conseqüência do que ele se tornou no meio disso tudo, porque ele continua um cara simples, humilde e gente boa”, afirma a mãe de Medina, que tem uma vida inteira pela frente para inspirar outros talentos.
Brasileiro tem apenas 20 anos e conseguiu vencer o recordista Kelly Slater.
Pela primeira vez um brasileiro tornou-se campeão mundial de surfe: Gabriel Medina, de 20 anos de idade. A conquista foi nas ondas mais tradicionais do mundo, em Pipeline, no Havaí.
Conquistar um título mundial no Havaí é o auge da carreira de qualquer surfista. Quando isso acontece aos 20 anos, é porque um talento raro apareceu no esporte. “O Gabriel, com quatro anos, já não queria ajuda e já ficava em pé. A gente ficava impressionado”, conta Simone Medina, mãe de Gabriel.
Em Maresias, no litoral norte de São Paulo, é onde o filho mais velho de Simone nasceu. A prancha sempre foi o brinquedo favorito de Gabriel Medina, mas o menino começou a encarar aquele objeto de um jeito diferente aos nove anos, quando a família ganhou um reforço.
“O Gabriel começou a me chamar de pai, né, então, na hora que ele falou ‘Pai’, eu disse ‘Nossa, que legal, ganhei um filho’”, lembra Charles Rodrigues, pai e treinador de Gabriel Medina.
Padrasto não é um título à altura da relação entre Charles Rodrigues e Gabriel Medina. Esse ex-tri-atleta uniu o gosto pelo surfe ao amor pela nova família, virou pai do dia para a noite e insistiu em treinar aquele menino como gente grande.
“Foi eu e ele, em uma cidade pequena, uma praia pequena, onde a gente foi colhendo informações e tentando estudar o surfe, tentando ver o que seria melhor para o Gabriel, que era muito talentoso. Então, quer dizer, não teve influência muito de outras pessoas, a gente não deu muito ouvido para os outros e acabou dando certo”, conta Charles Rodrigues.
Nos últimos dez anos, os dois viajaram o mundo juntos. Gabriel foi campeão mundial juvenil. “Junior”, conseguiu uma vaga na divisão de elite do surfe aos 17 anos de idade, em 2011, quando ele conquistou a primeira de cinco etapas de vitória no circuito, mais do que qualquer outro brasileiro já fez.
Só neste ano Gabriel conquistou três campeonatos. Um deles na perigosa onda de Teahupoo, no Taiti, contra Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais.
“Ele tem esse negócio, esse instinto competitivo que é natural dele já, e essa calma também, que ele empregava. Juntando isso que ele, na bateria, consegue raciocinar e fazer o melhor dele. E ele não tem medo”, descreve Charles Rodrigues, padrasto de Gabriel Medina.
Medina vai completar 21 anos no dia 22 de dezembro. Neste ano, no berço do surfe mundial, ele conquistou o melhor dos presentes de aniversário. Gabriel também antecipou em alguns dias o Natal de milhões de surfistas brasileiros.
“Esse título vai pertencer a todo brasileiro que se movimentou para que o surfe pudesse ter um espaço de mídia, como está tendo agora, para que pudesse ser respeitado pelas pessoas como um esporte decente, um esporte que dá futuro para muita gente, que faz dar orgulho para um país inteiro. Porque a gente sabe o fenômeno que está se lançando aí”, diz o surfista Teco Padaratz.
Um fenômeno de popularidade, próximo de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, capaz de mobilizar torcedores para os pontos mais remotos do planeta, principalmente por não deixar tanto o sucesso subir a cabeça.
“Eu acho que isso é conseqüência do que ele se tornou no meio disso tudo, porque ele continua um cara simples, humilde e gente boa”, afirma a mãe de Medina, que tem uma vida inteira pela frente para inspirar outros talentos.
Real confirma favoritismo, vence San Lorenzo e conquista 4º título mundial
Não deu para o time do Papa Francisco. Em duelo disputado neste sábado, no estádio de Marrakesh, o Real Madrid confirmou o favoritismo diante dos argentinos e, com gols de Sergio Ramos e Gareth Bale, venceu o San Lorenzo pelo placar de 2 a 0. Desta forma, faturou seu quarto título mundial – já havia conquistado o mundo nos anos de 1960, 1998 e 2002.
Foi a 22ª vitória consecutiva do Real Madrid, que faz uma temporada impressionante. Classificou-se para as oitavas de final da Liga dos Campeões como único time com 100% de aproveitamento na fase de grupos, e ainda lidera o Campeonato Espanhol com um ponto de vantagem em relação ao Barcelona – mesmo com um jogo a menos que o rival.
Fases do jogo: Nem o juiz deu o apito inicial e já deu para ver qual seria a estratégia do San Lorenzo: amarrar a partida. Com diversas faltas e provocações, o time argentino procurou parar o jogo a todo o momento. Adiantou, por 36 minutos, mas chegou uma hora que não teve jeito. Mesmo sem criar tanto, o Real conseguiu o gol, em bola parada. Depois de cobrança de escanteio de Kroos, Sergio Ramos aproveitou uma de suas principais características, apareceu entre os defensores do San Lorenzo e mandou de cabeça para as redes. 1 a 0.
Já na etapa final, a força do ataque merengue finalmente funcionou, por baixo. Kroos tocou para Isco, que deu uma assistência perfeita para Gareth Bale; dentro da área, o galês finalizou mal, mas Torrico não segurou a bola e levou um 'frango', complicando ainda mais a situação do San Lorenzo dentro da decisão. Nem mesmo a entrada de Romagnoli ajudou o time argentino a equilibrar o jogo diante do Real Madrid, que permaneceu superior durante quase todo restante da partida. No fim, o San Lorenzo até arriscou uma pressão, mas já era tarde.
O melhor: Isco. Comandou o meio-campo do Real Madrid e foi responsável por uma assistência perfeita no segundo gol, convertido por Bale.
O pior: Torrico. Levou um 'frango' no segundo gol do Real Madrid. Com o 2 a 0, ficou difícil para o San Lorenzo reagir na decisão.
Chave do jogo: Erros. O San Lorenzo não podia falhar se quisesse surpreender o Real Madrid. Mas falhou. Primeiro na marcação do escanteio que originou o gol de Sergio Ramos. Depois, foi a vez do goleiro Torrico não defender o chute fácil de Bale.
Para lembrar:
Mais um recorde! Cristiano Ronaldo se tornou o quarto jogador na história a vencer o Mundial de Clubes com duas equipes diferentes – ele foi campeão com o Manchester United em 2008.
Zerado no Mundial. Em contrapartida, Cristiano Ronaldo terminou o Mundial de Clubes da Fifa sem balançar as redes. Na temporada 2014/15, o português acumula 32 gols em 24 jogos.
Bamos! Cerca de 12 mil torcedores argentinos acompanharam a decisão do Mundial no estádio de Marrakesh. Deram show e fizeram barulho até o fim, mesmo com a derrota.
Brasileiro saiu cedo. Marcelo sentiu uma lesão e acabou substituído ainda aos 43min do primeiro tempo. Foi substituído pelo português Fábio Coentrão.
A infância em Roma, não tão distante de nós
erá que os romanos, quando crianças, tinham brinquedos? Só a pergunta já mostra como nossas idéias sobre os romanos costumam ser um tanto exageradas, como se eles quase nem fossem seres humanos. Parece, às vezes, que já nasciam adultos e que todos eram sanguinolentos e brutais. Não é nada disso, naturalmente. Mas é verdade que cada sociedade possui regras de convivência próprias e que podem nos parecer estranhas, embora tenham sua explicação. Como viviam as crianças romanas? Não é fácil responder a essa pergunta, menos ainda no que se refere às classes baixas, cujos vestígios são menos numerosos.
Por isso, vamos ver como era a vida infantil na elite, ou antes mesmo disso, como os romanos programavam a gravidez. Era possível “programar”? Em termos, sim. As mulheres da elite que amamentavam seus filhos o faziam por até três anos, o que retarda a retomada da ovulação. Mas havia métodos mais drásticos, que visavam permitir que a criança já nascida não sofresse a concorrência de um irmão, o que aumentava a chance de sobrevivência. Era permitido o infanticídio e a chamada “exposição da criança”, que nada mais era do que dá-la a alguém ou mesmo criá-la como escrava. Havia dois motivos principais que justificavam essas práticas: que a criança fosse defeituosa ou que o pai não a reconhecesse como seu filho. Os romanos diziam que “a mãe é certa, o pai incerto” e, por isso, cabia ao pai reconhecer o filho como seu. Mas havia meios mais prosaicos de controlar a gravidez, como o bom e velho “coito interrompido”. Segundo fontes antigas, eram as mulheres que controlavam a interrupção (o que mostra que as romanas não eram tão passivas como se pensa).
O objetivo do casamento era ter filhos e filhos que sobrevivessem, daí, em grande parte, a preocupação com que o intervalo entre eles fosse muito pequeno. A mortalidade infantil era muito alta, como em todas as sociedades até tempos muito recentes, pois apenas a medicina moderna permitiu que morressem menos bebês e mães. Era também muito comum que as crianças perdessem a mãe ou o pai muito cedo, já que a perspectiva de vida dos adultos não era também lá muito alta. Isso significa que as crianças dependiam também de outras pessoas, o que contribuía para que o conceito de “família” fosse diferente do nosso. A família romana não estava restrita a pais e filhos, mas envolvia outros parentes e até escravos libertos. Quando o pai morria, era sua família que se encarregava de cuidar do menino até os 14 anos e da menina até 12 anos.
Nas classes altas, havia tutores que ensinavam as crianças em grego e latim, de modo que eram, desde pequenas, bilíngües. Alguns dizem que, como as amas da elite eram gregas, os romanos expressavam seus sentimentos em grego, na linguagem que haviam aprendido com as amas. Mesmo entre pobres, era essencial aprender os rudimentos da escrita.
Como era o dia-a-dia de uma criança romana? Bem, tudo depende da classe social. No geral, a educação primária começava aos 6 ou 7 anos de idade. Se fosse rica, teria um tutor. Se pobre, iria a uma escola, na qual havia um só professor, em geral em um aposento no centro da cidade, perto de lojas. Na escola, usavam tabuinhas de cera e canetas (chamadas stylus) para aprender a calcular (com a dificuldade de fazer isso com os algarismos romanos) e decorar poesias. Ao meio-dia, saíam para almoçar e voltavam à tarde. Entre as brincadeiras, a mais comum era o par-ou-ímpar (chamada “par ímpar!”), jogada com nozes ou pedrinhas. Havia também brinquedos como carrinhos puxados a cavalo, bonecos de animais ou bonecas feitas de osso ou pano.
Era uma outra infância, mas as crianças tinham também suas atividades e brincadeiras. Nas paredes da cidade de Pompéia, soterrada e preservada pela erupção do vulcão Vesúvio, no ano 79, ainda encontramos grafites escritos pelos alunos. Um deles nos diz que “se para você dói decorar Cícero, tomará uma pancada do professor”. Outra infância, mas não tão distante de nós.
Júlio César: conquistador improvável

Os gênios, diz a lenda, nascem prontos. Quase todo mundo já escutou histórias intermináveis sobre Mozart encantando soberanos da Europa com meros 5 anos de idade, ou sobre Pelé deixando os suecos boquiabertos quando não passava de um meninote de 17. Mas, para o homem cujo nome virou sinônimo (literalmente) de imperador e general, as coisas ocorreram bem mais devagar. Ele teve de esperar a maturidade para conseguir mostrar a que veio, galgando o poder aos poucos, de mansinho – ascensão que, aliás, combinava bem com a personalidade desse mestre conciliador. César governou para valer os gigantescos domínios de Roma por apenas quatro anos, mas a influência do “Divino Júlio”, como seus conterrâneos passaram a conhecê-lo depois da morte, dura mais de dois milênios.
Ganhar fama de divino, aliás, era algo que andava nos planos da família de Caio Júlio César desde que Roma era Roma. Ou quase: há quem diga que, na verdade, a gens(família expandida ou clã, para os romanos) chamada Iulia viera de Alba Longa, uma cidade vizinha no Lácio. Seja como for, os orgulhosos antepassados de Caio Júlio diziam ter surgido de Iulus, um dos filhos de Enéias, o nobre troiano com pai mortal e mãe divina – ninguém menos que Vênus. “Assim, misturam-se à nossa raça a santidade dos reis, que tão poderosa influência exercem sobre os homens, e a majestade dos deuses, que mantêm debaixo de sua autoridade os próprios reis”, teria se vangloriado César, durante um discurso, de acordo com o historiador romano Suetônio, que viveu entre os anos 64 e 141.
Mania de grandeza à parte, o fato é que o jovem Júlio, nascido por volta do ano 100 a.C. (a data exata é um tanto controversa), não teve muita chance de alardear ou de lucrar nada com sua origem divina durante a juventude. A coisa mais esperta a fazer era ficar de boca fechada, porque ele cresceu durante um dos períodos mais turbulentos da história romana. Por séculos, a cidade-estado tinha sido governada pela esquisita mistura de oligarquia e democracia que os romanos chamavam de república, com o poder distribuído (desigualmente, é verdade) entre os legisladores do Senado, o “poder executivo” representado pelos cônsules e a pressão constante do povo romano, que participava de eleições e era representado pelos tribunos.
Esse sistema centenário e complicado não passou incólume pela onda expansionista que, durante os séculos 3 e 2 a.C., transformou Roma na senhora absoluta do Mediterrâneo. Os camponeses livres que antes formavam a base da sociedade, da economia e da força militar romana passaram a ficar cada vez mais para trás na competição com os grandes latifundiários e sua multidão de escravos capturados nas regiões dominadas. E, se o objetivo era conquistar, cada vez mais ter um comando militar significava ter o poder de fato, se não de direito. O resultado de toda essa mudança é que a vida política passou a se dividir em dois grupos informais. Eram os Optimates, o partido aristocrático, que não estava nem um pouco preocupado em aliviar os problemas sociais da nova superpotência, e os Populares, que reconheciam essa necessidade – no mínimo para tentar usar a seu favor a boa vontade do povo e do exército.
Ocorre que, assim como seu tio, o grande general Mário, César era um dos Populares – e eles sofreram um senhor golpe quando o líder aristocrático Sila derrotou Mário e se tornou o líder supremo da República em 82 a.C. Sila iniciou uma série de expurgos políticos depois de subir ao poder, e o jovem César precisou de uma boa dose de esperteza e sorte para escapar imaculado das perseguições. “Essa talvez seja a melhor explicação para o fato de César só ganhar destaque num momento relativamente tardio da sua vida. As circunstâncias fizeram com que pessoas do partido de Mário, como ele, fossem barradas pelo regime de Sila”, afirma o historiador e arqueólogo Pedro Paulo Funari, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Talvez a ajuda de alguns amigos influentes entre a aristocracia tenha feito com que Sila poupasse a vida de César e o enviasse à Ásia para participar do cerco a Mitilene, uma cidade grega que havia se aliado ao maior inimigo de Roma na época, o rei Mitridates do Ponto (no atual mar Negro). Foi ali que ele conheceu o rei Nicomedes da Bitínia e iniciou com o nobre de origem helênica um relacionamento que muita gente chegou a considerar como amoroso.
Com ou sem esse caso de amor homossexual, o fato é que o período vivido na Ásia Menor foi uma experiência proveitosa para César. Como todos os jovens com aspirações políticas de seu tempo, ele se interessava por retórica e oratória, e decidiu partir para a ilha grega de Rodes para estudar os dois temas com os grandes mestres helênicos. É possível que sua fama de grande escritor (exemplificada pelos clássicos Da Guerra da Gália e Da Guerra Civil) se deva às lições que tomou nessa época.
Mas talvez o mais interessante tenha sido o que se deu durante a ida de César a Rodes. Se os escritores clássicos são dignos de crédito, a situação foi cinematográfica: capturado por piratas, o jovem César passou 40 dias em cativeiro enquanto aguardava seu resgate ser pago, conversando e brincando animadamente com seus captores e até exigindo que eles elevassem o valor que pediam por sua vida, por considerá-lo baixo demais. Em meio a toda essa camaradagem, contudo, César avisou que iria voltar depois de libertado e punir o bando todo. Claro que ninguém levou a ameaça a sério, mas a primeira coisa que o romano fez ao ser solto foi reunir uma frota, capturar os bandidos e mandar crucificá-los.
Como não há mal que sempre dure, Sila renunciou ao poder e morreu em 78 a.C., o que permitiu a César um retorno seguro a Roma e a possibilidade de iniciar uma carreira política. Logo tornou-se conhecido pela defesa de causas consideradas populares, como os direitos dos habitantes das províncias e a distribuição de terras a veteranos de guerras. Foi assim que ganhou seu primeiro comando militar importante, tornando-se procônsul da Hispânia – trecho da península Ibérica que englobava tanto áreas da Espanha quanto do atual Portugal.
César cumpriu com perfeição seu dever de pacificar os bárbaros locais, mas, conta o biógrafo grego Plutarco (que viveu no século 1), não estava satisfeito com o rumo de sua carreira até ali. Ao ler sobre os triunfos de Alexandre Magno, ele teria começado a chorar de repente. Seus amigos perguntaram qual era problema, e ele respondeu: “Não vos parece ser digno de tristeza que, na minha idade, Alexandre já era rei de tantos povos, enquanto eu ainda não consegui nenhum sucesso tão brilhante?”.
Verdade ou não, a anedota de Plutarco virou quase uma deixa para a ofensiva em busca do poder que César iniciou daí em diante. Ao lado de Crasso e Pompeu, dois aristocratas ambiciosos que haviam conseguido fama e influência graças a suas vitórias militares, César formou uma aliança que passaria a ser conhecida como o Primeiro Triunvirato. Ao contrário do que muita gente imagina, o nome nada tem a ver com um cargo oficial. Ao contrário: para os romanos da época, o acordo entre o trio virou sinônimo de uma panelinha secreta e sinistra, na qual cada um se dispunha a facilitar as ambições políticas do outro. Uma espécie de pacto de não-agressão.
Não demorou muito para que o acordo funcionasse em favor de César, que galgou o posto mais alto da República, o de cônsul, em 59 a.C. De quebra, ganhou o comando das províncias da Gália Cisalpina (a região da Itália entre os Alpes e o rio Pó) e do Illyricum, nos atuais Bálcãs. Nessa época, César soube que os helvécios, um povo celta aparentado dos gauleses, estava prestes a realizar uma migração em massa para a Gália, atravessando a rica província romana do sul da atual França (chamada até hoje de Provença) e pondo em risco, alegou ele em seus escritos, os aliados gauleses de Roma.
Mas é claro que as motivações de César e de Roma eram bem mais complexas: “O livro Da Guerra da Gália não é uma descrição isenta, mas uma obra de propaganda comum no processo de expansão romana. Ele apresenta a guerra como justa, como ação defensiva. Pura retórica de guerra”, afirma Norberto Luiz Guarinello, professor de história da Universidade de São Paulo (USP).
Além disso, a versão dos gauleses como sendo um bando de chefetes tribais, eternizada por Asterix (o célebre personagem das histórias em quadrinhos), simplesmente não corresponde à realidade da época. A influência greco-romana era sentida havia séculos na Gália e as tribos celtas tinham, por exemplo, abandonado em grande parte a monarquia em favor de magistrados eleitos anualmente, à maneira de qualquer cidade-estado que se prezasse no Mediterrâneo. Muitos gauleses, como a tribo dos Aedui, viam vantagens no domínio romano, cedendo aos invasores homens e suprimentos. “Os romanos aliavam-se às elites locais, numa estratégia de incorporação, primeiro dessas elites e, mais tarde, da população em geral”, diz Pedro Paulo.
A campanha da Gália, que se estendeu até 50 a.C., marcou o ápice dos triunfos militares de César, que levou o estandarte das legiões romanas para os confins do mundo conhecido pelos seus compatriotas como a Germânia, além do rio Reno e da Grã-Bretanha. Segundo Plutarco, acima de tudo, ele se mostrou um mestre em inspirar a devoção em seus soldados e encorajá-los a seguir em frente mesmo diante de obstáculos aparentemente intransponíveis. Seus discursos viravam lendas e ele não fugia dos campos de batalha, sendo um magnífico guerreiro quando a cavalo. Em menos de dez anos, a Gália caiu sob domínio romano. Não houve aldeia que permanecesse irredutível.
Nesse meio tempo, entretanto, o triunvirato tinha virado fumaça. Crasso morreu numa malfadada tentativa de conquistar os partos, donos de um império na Mesopotâmia e na Pérsia. Pompeu, antes genro de César, cortou boa parte dos laços que tinha com o sogro quando Júlia (a filha de César) morreu ao dar à luz. O bebê viveu apenas alguns dias. O Senado, a principal força política de Roma, passou a temer a influência ascendente de César e concedeu a Pompeu autoridade sobre os exércitos da República. Os políticos de Roma exigiram que César renunciasse a suas legiões se quisesse voltar à cidade. E isso ele jamais faria.
De volta da Gália, ao se aproximar do rio Rubicão, tradicional fronteira com a Itália, César teria pronunciado a frase famosa “Alea jacta est”, ou “a sorte está lançada”. Ao atravessar o curso de água com seu exército, declarava suas intenções. Os partidários de Pompeu, ligados aos Optimates, deixaram Roma e organizaram a resistência a César em diversos pontos nas províncias. A guerra civil, repetindo o que ocorrera nos tempos de Mário e Sila, havia começado.
A vitória de César, porém, não tardou. As forças de Pompeu foram derrotadas na Itália, na Espanha e nos Bálcãs. A batalha decisiva entre os dois rivais se deu em Farsália, na Tessália (norte da Grécia), e a derrota de Pompeu foi quase completa. O perdedor escapou para o Egito, mas foi perseguido por César, que provavelmente o teria poupado, mas os ministros de Ptolomeu, o rei-menino egípcio, assassinaram-no na tentativa de agradar ao general vitorioso. Os partidários de Pompeu ofereceram alguma resistência, mas foi só questão de tempo até César pacificar todo o império em 46 a.C.
O domínio de César sobre Roma tornou-se então indiscutível. Assumindo o título de ditador perpétuo (uma alteração do velho cargo romano de ditador, que dava poderes quase ilimitados a um indivíduo durante emergências), ele passou a mandar e desmandar na escolha das magistraturas da República. Contudo, seu governo foi extremamente conciliatório se comparado aos expurgos e perseguições promovidos por Sila. Ele fez questão de tentar atrair para sua esfera de influência muitos dos antigos aliados de Pompeu, perdoando-os. “Diferenciar-se de Sila era, a partir dos anos 60, explorar um perfil político próprio em Roma e favorecer uma visão suprafacciosa do político. César ficou famoso por sua clemência”, afirma Norberto, da USP. “A política de César foi sempre a da cooptação”, diz Pedro Paulo, da Unicamp.
Ninguém sabe dizer qual seria o próximo passo do ditador. Os Optimates acusavam-no de querer tornar-se rei, cargo odiado pelos romanos desde que haviam acabado com a monarquia, no século 6 a.C., mas outros relatos se referem ao fato de César ter recusado a coroa real oferecida a ele por seus partidários durante cerimônias públicas. “Mas a maioria dos historiadores concorda que César era uma figura mais autocrática”, afirma Pedro Paulo. Depois de tudo, é difícil que ele concordasse em se submenter ao Senado.
Seja como for, qualquer plano que pudesse ter existido foi por água abaixo quando conspiradores da facção aristocrática do Senado cercaram César nos fatídicos idos (dia 15) de março de 44 a.C. Uma porção de punhaladas tirou a vida do ditador, que tentou se defender usando o estilo (uma espécie de pena de metal usada para escrever).
Na morte, mais uma polêmica. O fato de Brutus, que participou do assassinato, ser tradicionalmente identificado com seu filho adotivo provavelmente é falso. “Um erro de tradução”, diz Pedro Paulo Funari. “O relato que restou da execução originalmente estava em grego e nele César usa a palavra têknon, que pode ser tanto ‘criança’ quanto ‘filho’, para se referir a Brutus. Depois a palavra foi traduzido como filius para o latim. Mas, aparentemente, na época téknon tinha um significado pejorativo”, afirma. Portanto, em vez de “Até tu, Brutus, meu filho!”, o que César provavelmente disse ao morrer foi “Você também, Brutus, seu moleque!”
O crime dos Optimates não salvou a República. De um novo triunvirato e de uma nova guerra civil emergiu vitorioso Caio Octaviano, ou Augusto, o sobrinho-neto de César que se tornaria o primeiro imperador romano.
Homens e mulheres
César casou quatro vezes e teve muitas amantes
A vida sexual dos poderosos é vasculhada desde que o mundo é mundo, e a de César foi das mais movimentadas. Em geral, a fama que se atribui ao conquistador da Gália também é a de um conquistador das mulheres. Seus soldados o chamavam de “o calvo adúltero” (antes de completar 50 anos, César perdera todo o cabelo). Ele se casou quatro vezes, com Cosútia (divorciou-se), Cornélia (ela morreu), Pompéia (divorciou-se) e Calpúrnia, que sobreviveu a César. Com Pompéia, viveu uma situação particular. Um jovem apaixonado por ela, Clódio, invadiu a casa de César enquanto era celebrada uma festa em honra de Bona Dea, uma deusa cujos rituais não podiam ser vistos por homens. Clódio disfarçou-se de mulher, mas foi flagrado, o que gerou um escândalo em Roma. César divorciou-se de Pompéia, mas não puniu Clódio. Diante do juiz, que quis saber, então, por que estava se separando, ele teria dito: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. O mais tórrido e controverso affair do general parece ter sido mesmo o que teve com Cleópatra, que deixou de lado seu marido Ptolomeu para se entregar a César. Dizem que a rainha não era exatamente bonita, mas que seu charme, sua inteligência e cultura cativaram César de tal modo que ele a mandou trazer para Roma, alojando-a em sua própria casa. Da união dos dois teria nascido um filho, que ganhou o nome grego de Cesárion (a dinastia ptolomaica de Cleópatra era de origem macedônio-helênica). Pesam sobre César, ainda, rumores quanto a seus relacionamentos com outros homens. Em um debate no Senado, em que César parecia empenhado em defender os interesses do amigo Nicomedes (soberano que conhecera na Bitínia), alguém insinuou que “todos sabem o que tu deste a ele”. Os boatos eram tamanhos que as legiões de César, nas celebrações de suas vitórias em Roma, costumavam chamá-lo de “rainha da Bitínia”. Não que isso contribuísse para diminuí-lo aos olhos do povo, embora os romanos fossem menos tolerantes em relação ao homossexualismo que os gregos. “O importante é que o homem tivesse uma postura masculina, independentemente de ter relações com homens ou com mulheres”, diz Pedro Paulo Funari.
Grande guerreiro
César foi um opositor quenão poupou violência contra seusinimigos bárbaros ou romanos
Gália
César teve de enfrentar a complexa política de alianças que unia as tribos gaulesas a Roma e opunha outras à superpotência. Os gauleses tinham uma cavalaria soberba e eram guerreiros corajosos, mas pouco disciplinados, de acordocom os relatos do general. O pior dos combates, e o mais glorioso para César, ocorreu em Alésia. Ali, de acordo com Plutarco, César teve de fazer cerco a 170 mil gauleses numa fortaleza, enquanto 300 mil o cercaram do lado de fora. O general resolveu o impasse construindo uma dupla de muralhas, uma protegendo-o contra os de dentro da fortaleza, outra contra os de fora, e saiu vitorioso.
Bretanha
A imensa ilha, habitada por várias tribos celtas, algumas das quais aparentadas dos gauleses, jamais havia visto a chegada de um exército das grandes potências do Mediterrâneo antes do desembarque de César. Embora tenha perdido grande quantidade de homens por causa de naufrágios e tempestades, o general puniu os bretões pela ajuda prestada aos gauleses e venceu chefes tribais das atuais regiões inglesas de Kent e Essex, recebendo deles reconhecimento formal de submissão. O verdadeiro domínio romano ali,no entanto, só seria estabelecido mais tarde.
Farsália
A batalha decisiva contra Pompeu e as forças dos Optimates ocorreu nessa região da Tessália famosa por suas planícies e adequada para o combate a cavalo. Foi exatamente com essa arma que Pompeu, em maior número e com uma cavalaria muito bem armada, estava contando. César decidiu atacar antes do inimigo e, de acordo com Plutarco, ganhou a dianteira ao instruir seus soldados a ferir com lanças o rosto dos cavaleiros, jovens aristocratas que não queriam ficar desfigurados e, por isso, debandaram. A derrota de Pompeu, que fugiu para o Egito, foi completa: 6 mil mortos e 24 mil capturados.
Egito
O orgulhoso comportamento de César depois de sua chegada a Alexandria no encalço de Pompeu logo fez com que a guarda real e o populacho da cidade pedissem a cabeça do general ao jovem rei Ptolomeu. Cercado em seu palácio com uma pequena força de 4 mil homens, César teve de esperar a chegada de nova legião para tentar escapar. Os combates, centrados no mar e no porto de Alexandria, foram encarniçados, e em determinado momento César foi forçado a nadar para salvar a própria pele. Reforços vindos da Síria, no entanto, permitiram que o general derrotasse Ptolomeu, morto numa batalha, e entregasse o poder a Cleópatra, que se tornara sua amante.
Antes de César
Roma durante a República: meio caminho andado
Império MáximoA Roma de César: do Egito de Cleópatra à Bretanha do rei Arthur
Bom de boca
César e asfrases que entrarampara história
Quase tudo aquilo que se conhece sobre os detalhes mais pessoais e sobre os discursos feitos por César vem dos seus próprios escritos, nos quais relata a guerra contra os gauleses e as batalhas contra os exércitos de Pompeu. Outra fonte, talvez a principal, são os biógrafos clássicos, em especial Suetônio, na sua A Vida dos Doze Césares, e Plutarco, em Vidas Paralelas, um trabalho monumental que relata a trajetória comparada de Alexandre, o Grande, e de Júlio César. Desnecessário dizer que esses textos são tanto história como literatura, e que embelezavam e expandiam significativamente os supostos feitos e discursos do personagem famoso ao longo de sua carreira. Plutarco pinta-o como um predestinado pelos deuses, enquanto Suetônio apresenta uma visão mais crítica. É significativo, no entanto, notar que ambos os trabalhos retratam César como um escritor, frasista e orador extremamente talentoso. O seu “Veni, vidi, vici”, ou “Vim, vi e venci”, tornou-se sinônimo de competência e controle rápido de situações. Diante dos corpos dos Optimates em Farsália, conta-se que ele teria dito “Hoc voluerunt”, “Assim o quiseram” – como quem diz que os aristocratas poderiam ter evitado o banho de sangue se fossem menos intransigentes.
A herança de Júlio César
"O kaiser nasceuem julho durante uma cesariana"
Não entendeu nada? Talvez ajude saber que a palavra que designa o soberano alemão, o nome do mês “sete” e a operação que substitui o parto normal têm o mesmo patrono. Ele próprio, o “JC” de Roma. Apesar de ter governado seu povo por pouquíssimo tempo, o impacto de César sobre a história e a cultura ocidentais foi imenso e talvez inédito. A começar pelo calendário juliano, organizado sob sua supervisão, que estabeleceu as bases para a contagem do tempo que ainda usamos hoje e só foi alterado significativamente no século 16 da era cristã. O mês de julho empresta seu nome de César, divinizado por Augusto depois de sua morte. O governante ficou famoso por embelezar Roma e ser um patrono mão-aberta das artes na capital do mundo antigo, plantando as bases para as realizações nessa área que seu sucessor iria realizar poucos anos mais tarde.A coroa real nunca chegou a adornar sua cabeça, mas seu nome virou sinônimo (literalmente) de imperador em alemão (kaiser) ou russo (czar ou tzar). Por último, várias anedotas costumam associar a prática da cesariana ao fato de que César só teria nascido graças a uma operação pioneira realizada em sua mãe.
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