Gaia Molinari e Mirian França viajaram juntas a Jericoacoara em 21 de dezembro. A carioca, suspeita da morte da italiana, está presa por contradições em depoimento

A carioca Mirian França, suspeita de matar a italiana Gaia Molinari na praia de Jericoacoara, em Jijoca, a 287 km de Fortaleza, havia procurado na internet companhia para viajar ao Ceará. “Olá, mochileiros. Procuro cia para passar o final do ano em Fortaleza e Jericoacoara. Já paguei parte da hospedagem para o período de 18 a 29 de dezembro, mas posso estender por mais tempo, pois ainda não comprei passagem, roteiro também em aberto”, diz a mensagem no site Mochileiros. A publicação data de 13 de julho deste ano.
Mirian está presa na Delegacia de Capturas, em Fortaleza, desde a manhã desta segunda-feira (29), suspeita de participar da morte da italiana. De acordo com a delegada-adjunta da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), Patrícia Bezerra, a investigação ainda dá os primeiros passos. “É bem verdade que a gente deu um grande passo com a prisão que foi realizada, mas ainda há muito a ser feito. Ainda existem outras pessoas a serem encontradas”, revela.
Confira a mensagem:
(FOTO: Reprodução/Facebook)
Gaia e Mirian estavam hospedadas no mesmo albergue, no Centro de Fortaleza, viajaram a Jericoacoara em 21 de dezembro e pretendiam retornar na véspera do Natal. O corpo da italiana foi encontrado por um casal, próximo à Pedra Furada, um dos pontos turísticos da praia, em 25 de dezembro. Por ser a companhia de Gaia na viagem, a carioca foi tratada como principal testemunha do crime; porém, em razão de se contradizer em depoimento, passou a ser suspeita da morte.
“De início, ela foi ouvida na qualidade de testemunha. Mas com o desenrolar das diligências, passou de testemunha a suspeita. Colhemos indícios e depoimentos que apontaram incontáveis contradições. Informações dela tentaram ser comprovadas, e muitas coisas que tinha dito não eram verdadeiras, como horários e locais. Depois, ela não sustentou o que tinha dito e nem explicou as mentiras”, explica a delegada.
Mirian já estava com viagem marcada para voltar ao Rio de Janeiro, na terça-feira (30). A prisão foi efetuada também por conveniência da investigação, segundo Patrícia. Ela ficará à disposição das autoridades que investigam o caso. “Era importante que ela não saísse de Fortaleza”, acrescenta.
Por enquanto, a tese de latrocínio (roubo seguido de morte) não se sustenta. Além disso, não é destacada a possibilidade de crime passional. Segundo a delegada, contatos estão sendo feitos com a polícia do Rio de Janeiro para investigar se Mirian e Gaia já haviam se conhecido no Rio.
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REPERCUSSÃO DO CRIME
Gaia era italiana e estava de férias no Ceará desde 16 de novembro (IMAGEM: Reprodução)
Exames e liberação
Exames realizados na Perícia Forense do Ceará (Pefoce), no município de Sobral, indicaram a causa da morte da italiana como asfixia por estrangulamento. Além do exame de DNA, que pode identificar violência sexual na vítima, a perícia também realizou exame toxicológico. Conforme o cônsul da Itália no Ceará, Roberto Misici, o corpo de Gaia será embalsamado e liberado até quarta-feira (31), do Instituto Médico Legal de Sobral. Ainda não há data para ser levado a Itália.
Leia as matérias publicadas sobre o Caso Italiana:
26 de dezembro – Turista italiana é encontrada morta na praia de Jericoacoara
27 de dezembro – Suspeito de matar turista italiana em Jericoacoara é detido pela polícia
28 de dezembro – Homem suspeito de matar turista italiana em Jericoacoara é solto por falta de provas
29 de dezembro – Amiga carioca de italiana morta em Jericoacoara é presa após contradição em depoimento
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