terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Vida e obra de Oscar Niemeyer

A criatividade e determinação de Oscar Niemeyer, o arquiteto que rompeu padrões, criou um estilo e desafiou os limites da engenharia. Entre o belo e o funcional, optou pela surpresa e a invenção.




Para o maior arquiteto brasileiro de todos os tempos a vida sempre foi mais importante do que a arte. A arte em que transformou cada pedaço de sua arquitetura, com uma dedicação de corajosa modernidade até a morte, aos 104 anos. Quando jovem foi boêmio incontrolável, adulto filiou-se ao Partido Comunista e criou espaços, formas e curvas domando o concreto, desafiando o cálculo e a lógica. Porém, em todas as suas empreitadas, o que mais o atraía eram os encontros, as conversas com os amigos, que colecionou com rara disponibilidade e com o peito - e bolso - abertos. "Sou simples, aberto para a vida, apto a aceitar todas as mudanças que os tempos estabelecem." 

Rara figura como profissional e cidadão. Inconformado com as construções comerciais, acreditava que a arquitetura deveria provocar espanto, surpreender ao primeiro olhar, orgulhar pela ousadia. Inconformado com as injustiças, acreditou no comunismo até o fim, até mesmo depois que as estátuas de Lenin foram parar no chão e o Muro de Berlim desabou. Em 1990, desfiliou-se do Partidão, em solidariedade ao amigo, ex-presidente do PCB e ícone Luís Carlos Prestes (veja acima). 

Seu nome virou sinônimo de sua arquitetura - assinada e convicta. O estilo espalhou-se pelo mundo, influenciou gerações, provocou ódios e paixões, mas cumpriu o propósito do autor: indiferente ninguém fica. Prolongou sua atividade profissional até os os últimos dias de vida. Viúvo desde 2004, anunciou que iria se casar novamente aos 98, surpreendendo a todos ao se unir a Vera Lucia, de 60, sua ex-secretária.

O superlativo se espalha pela linha do tempo dessa longa trajetória. Ela começa no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907, numa casa assobradada em Laranjeiras. Ali, Oscar Niemeyer Soares Filho veio ao mundo, viveu, cresceu, se casou com Annita e também nasceu sua única filha, Anna Maria (1931-2012). Tinha seis janelas na fachada e, no frontispício, as iniciais RA, de seu avô Ribeiro de Almeida. "Meu nome deveria ser Oscar Ribeiro Soares ou Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, mas prevaleceu o nome estrangeiro. Minhas origens são muitas, o que me agrada particularmente: Ribeiro e Soares, portugueses, Almeida, árabe, e Niemeyer, alemão. E isso sem levar em conta algum negro ou índio." 

O primeiro Niemeyer chegou ao Brasil junto com dom João VI, em 1808. O pai do arquiteto, Oscar Niemeyer Soares, morreu aos 86 anos, em 1959. A rua onde nasceram seus filhos chamava-se Manoel Passos e o dono da casa era famoso: Ribeiro de Almeida foi conselheiro do Império e procurador da República, avô materno de Niemeyer. "Recebiam muitas visitas. Pessoas ilustres frequentavam a casa", disse o arquiteto. "Meu avô era um homem honesto. Morreu pobre, deixando para seus quatro filhos apenas a casa de Laranjeiras."

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